
As apostas online estão ocupando espaço no orçamento de consumidores que já enfrentam dificuldades financeiras na região de Ribeirão Preto. Levantamento realizado pela Acordo Certo mostra que as mulheres representam 50,6% dos entrevistados endividados que afirmaram apostar em plataformas digitais.
Segundo a pesquisa, a participação feminina na amostra regional ficou oito pontos percentuais acima da média nacional apresentada pelo relatório “Mulheres e Bets”.
Outro dado que chama a atenção é a presença de pessoas mais velhas. Entre os entrevistados que disseram ter utilizado plataformas de apostas recentemente, 35,4% possuem 55 anos ou mais.
O levantamento ouviu 237 pessoas entre 31 de julho e 28 de setembro de 2026, distribuídas por 21 municípios da região de Ribeirão Preto.
A relação entre apostas e dificuldades financeiras aparece em diferentes respostas da pesquisa.
Para 14% dos entrevistados, apostar é uma forma de tentar obter recursos. Já 63,6% afirmaram que utilizariam eventuais ganhos para pagar dívidas.
Entre os participantes, 32,9% possuem renda familiar entre dois e quatro salários mínimos. Um terço está negativado e 43,9% estimam possuir mais de R$ 5 mil em dívidas.
Para Eduardo Cavalheiro, gerente de Comunicação da Acordo Certo, a situação se torna especialmente preocupante quando os recursos destinados às apostas passam a competir com despesas familiares.
“Quando a aposta aparece como uma saída para pagar uma dívida ou fechar as contas do mês, ela deixa de ser apenas uma decisão de consumo e passa a concorrer diretamente com o dinheiro destinado às necessidades da família”, afirma.
Os impactos também aparecem diretamente no pagamento das despesas.
Nos últimos 12 meses, 9,7% dos entrevistados disseram que já deixaram de pagar uma conta ou recorreram a empréstimo, cheque especial ou cartão para colocar dinheiro nas plataformas.
Quando enfrentam um mês ruim com as apostas, 37% afirmaram atrasar dívidas ou contas básicas.
Entre aqueles que tentaram diminuir ou interromper as apostas, 22,6% disseram que não conseguiram.
Os números ajudam a mostrar como o jogo pode deixar de representar apenas uma forma de entretenimento e passar a interferir diretamente na organização financeira de parte dos consumidores pesquisados.
Ao contrário da associação frequente entre bets e futebol, os cassinos online aparecem com ampla vantagem entre os entrevistados da região.
Jogos como Tigrinho, Dragão e similares foram mencionados por 58,1% dos participantes. As apostas em resultados esportivos representam menos de 1% na amostra.
A entrada nesse mercado também é recente para grande parte dos entrevistados. Ao todo, 61,3% disseram apostar há menos de seis meses.
Outros 54,8% afirmaram jogar algumas vezes por mês, enquanto 67,7% disseram gastar até R$ 50 mensalmente.
A pesquisa também identificou problemas relacionados à experiência dos consumidores com plataformas e divulgação das apostas.
Entre aqueles que já apostaram, 48,1% disseram ter se sentido enganados por alguma plataforma ou influenciador.
Os relatos incluem situações como dificuldades para receber ganhos, bloqueio de contas e golpes.
O levantamento regional reuniu consumidores de Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho, Araraquara, Barretos, Bebedouro, Jaboticabal, Batatais, Pontal, São Joaquim da Barra, Taquaritinga, Monte Alto, Jardinópolis, Serrana, Orlândia, Ituverava, Guaíra, Guariba, Pitangueiras, Cravinhos e Barrinha.
Os resultados se referem especificamente aos consumidores endividados ouvidos pela pesquisa e, portanto, não representam necessariamente o perfil de toda a população da região.
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