
As discussões sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1 ganharam força nesta semana em Brasília e já começam a repercutir entre empresários, comerciantes e trabalhadores de Ribeirão Preto, cidade considerada um dos principais polos econômicos e comerciais do interior paulista.
A comissão especial da Câmara dos Deputados responsável por discutir a proposta terá uma agenda intensa nos próximos dias, incluindo debates com integrantes do governo federal, seminários regionais e articulações envolvendo representantes do setor produtivo.
Entre os participantes previstos nas discussões estão integrantes da equipe econômica e política do governo federal, além de representantes de entidades ligadas ao comércio, serviços e empreendedorismo.
A proposta de mudança na jornada de trabalho tem gerado preocupação principalmente entre setores que funcionam tradicionalmente em horários ampliados, como supermercados, restaurantes, shoppings, farmácias, postos de combustíveis, bares, hotéis e centros comerciais.
Em cidades como Ribeirão Preto, onde o comércio e o setor de serviços possuem forte peso na economia local, representantes empresariais acompanham o debate com atenção devido aos possíveis impactos operacionais e financeiros.
Segundo dados do IBGE e da Fundação Seade, o setor terciário representa uma das principais atividades econômicas de Ribeirão Preto, movimentando milhares de empregos formais ligados ao varejo, alimentação, logística, saúde privada, hotelaria e prestação de serviços.
Entidades ligadas ao comércio nacional defendem que eventuais mudanças na jornada sejam acompanhadas de medidas compensatórias para evitar aumento de custos operacionais, redução de horários de funcionamento e impactos no preço final ao consumidor.
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) informou que participa de mobilizações em Brasília para apresentação de emendas relacionadas ao texto em discussão. Segundo a entidade, a preocupação central está nos efeitos sobre estabelecimentos que operam aos finais de semana e em horários estendidos.
O tema ganhou ainda mais relevância porque a escala 6×1 é amplamente utilizada em segmentos ligados ao varejo e aos serviços urbanos, áreas que concentram grande parte da mão de obra nas cidades médias e grandes do país.
Além do debate sobre jornada de trabalho, a agenda econômica e legislativa da semana inclui discussões sobre atualização do teto do Simples Nacional e do enquadramento do Microempreendedor Individual (MEI).
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o Projeto de Lei Complementar 108/2021 deverá discutir o plano de trabalho relacionado ao aumento do teto do Simples Nacional, tema acompanhado de perto por micro e pequenos empresários.
Em Ribeirão Preto, o crescimento do número de MEIs nos últimos anos ampliou o interesse local em propostas ligadas à simplificação tributária, incentivos ao empreendedorismo e redução da burocracia.
Dados do Portal do Empreendedor apontam crescimento contínuo das formalizações de microempreendedores individuais no país, movimento impulsionado principalmente após a pandemia.
Outra pauta que mobiliza entidades empresariais é o debate sobre a reforma tributária e o novo modelo de tributação sobre o consumo, que também terá audiências públicas nesta semana na Câmara dos Deputados.
Especialistas apontam que mudanças tributárias podem gerar impactos diretos em cidades com forte atividade comercial, como Ribeirão Preto, afetando preços, logística, competitividade e planejamento financeiro de empresas.
Além das pautas econômicas, o governo federal também deve apresentar nos próximos dias o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, voltado ao fortalecimento de ações de investigação e combate às facções criminosas.
A proposta prevê participação dos governos estaduais e possibilidade de acesso a recursos federais para estados que aderirem ao programa.
O conjunto de discussões em andamento no Congresso Nacional deve continuar sendo acompanhado por entidades empresariais, trabalhadores e lideranças políticas nas próximas semanas, especialmente diante dos possíveis reflexos econômicos e sociais para cidades com forte presença dos setores de comércio e serviços, como Ribeirão Preto.
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