
A regulamentação da Reforma Tributária voltou a gerar preocupação entre empresários e representantes do comércio em Ribeirão Preto, cidade onde o varejo, os centros comerciais e os pequenos negócios possuem forte peso na economia local.
O tema foi debatido nesta semana durante audiência pública conjunta das comissões de Desenvolvimento Econômico e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro discutiu possíveis ajustes no novo modelo tributário brasileiro e os impactos sobre o comércio, a indústria e as micro e pequenas empresas.
Representantes da CNDL, federações comerciais e especialistas alertaram para o cenário de dificuldade enfrentado pelo varejo físico diante do crescimento acelerado do comércio digital e dos marketplaces internacionais.
Entre os principais pontos debatidos estiveram a necessidade de modernização do Simples Nacional, a preservação da competitividade das lojas físicas e a tentativa de evitar aumento da carga tributária sobre produtos considerados essenciais, como calçados e óculos de grau.
O vice-presidente da FCDL-BA, Antoine Youssef Tawil, afirmou durante a audiência que existe uma diferença significativa entre a capacidade de geração de empregos do comércio físico e das grandes operações digitais.
Segundo ele, pequenas lojas empregam diretamente trabalhadores em diferentes funções, enquanto plataformas digitais operam com estruturas muito mais enxutas.
O debate ganha relevância em Ribeirão Preto justamente por conta da forte movimentação econômica ligada ao varejo. A cidade possui centros comerciais, corredores empresariais, shopping centers, franquias e milhares de pequenos empreendedores que dependem diretamente da atividade comercial para geração de renda e empregos.
Além do comércio tradicional, Ribeirão Preto também registra crescimento acelerado do e-commerce, fenômeno que vem alterando hábitos de consumo e pressionando lojistas locais a investirem em presença digital, delivery e integração entre vendas físicas e online.

Especialistas do setor apontam que as mudanças tributárias poderão influenciar diretamente custos operacionais, preços ao consumidor, competitividade e capacidade de expansão dos pequenos negócios nos próximos anos.
Outro tema debatido foi a situação das micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional. Representantes do setor defenderam mudanças na forma de cálculo do faturamento empresarial para facilitar abertura de novas unidades e ampliar a capacidade de crescimento dos empreendedores.
O deputado federal Zé Neto, responsável pela audiência, afirmou que os projetos em análise buscam fortalecer a economia interna e evitar desequilíbrios competitivos durante a transição para o novo sistema tributário.
Para empresários do interior paulista, a preocupação vai além da carga tributária. O receio envolve principalmente a capacidade de sobrevivência do varejo físico diante das mudanças no comportamento do consumidor e da concorrência crescente das plataformas digitais internacionais.
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