
O custo da cesta básica voltou a subir em Ribeirão Preto e já se aproxima dos R$ 800, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias e reforçando o cenário de maior cautela no consumo. Levantamento divulgado pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) aponta que o valor médio dos produtos essenciais chegou a R$ 792,50 em abril, registrando alta de 6% no período.
Segundo a análise econômica apresentada pela entidade, o aumento foi impulsionado principalmente pela elevação dos preços do tomate italiano, leite longa vida e feijão carioca, produtos considerados básicos na alimentação diária da população.
O economista Miguel Colares destacou que o avanço dos preços reduz a capacidade de compra das famílias e aumenta a dificuldade de equilíbrio financeiro dentro de casa.
“Em um cenário de renda apertada, o aumento dos alimentos básicos reduz a capacidade de compra, afeta o planejamento doméstico e dificulta ainda mais o equilíbrio das contas”, afirmou.
Os dados mostram que o tomate italiano apresentou a maior alta do período, com avanço de 25,48%. Segundo a análise da Acirp, o aumento está relacionado à redução da oferta no mercado atacadista, influenciada pela maturação e colheita antecipadas.
O leite de caixinha registrou aumento de 18,89%, reflexo da menor oferta no campo, da sazonalidade da produção e do aumento dos custos de produção. Já o feijão carioca subiu 11,56% em meio a uma safra menor, estoques reduzidos e problemas climáticos que afetaram a colheita.
Em contrapartida, alguns produtos apresentaram queda nos preços e ajudaram a evitar um aumento ainda maior da cesta básica. O açúcar cristal teve redução de 4,59%, enquanto a banana nanica registrou queda de 2,57%.
O avanço da cesta básica em Ribeirão Preto acompanha uma tendência nacional. Dados do Dieese apontam que as 27 capitais brasileiras pesquisadas registraram aumento no custo dos alimentos pelo segundo mês consecutivo. Em São Paulo, a cesta básica já gira em torno de R$ 900, sendo a mais cara do país.
Segundo o Dieese, os gastos com alimentação passaram a comprometer quase 30% da renda familiar brasileira, acima dos cerca de 25% registrados há seis anos. O crescimento desse peso no orçamento reduz a capacidade de investimento das famílias em áreas como saúde, educação, lazer e consumo no varejo.
Especialistas apontam que o encarecimento dos alimentos costuma gerar reflexos diretos na economia local. Com maior parte da renda comprometida com despesas essenciais, consumidores tendem a adiar compras, reduzir gastos e aumentar o nível de cautela financeira.
Em Ribeirão Preto, o cenário já começa a ser percebido no comércio, principalmente em setores ligados ao consumo não essencial, que passam a sentir os efeitos da redução do poder de compra da população.
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