
Uma pesquisa inédita realizada pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) revelou que quase metade das redes municipais brasileiras ainda não implementa estratégias estruturadas de letramento matemático na Educação Infantil.
O levantamento ouviu 2.712 secretarias municipais de ensino, o equivalente a 49% dos municípios do país, e apontou que apenas 48% das redes desenvolvem ações específicas voltadas ao ensino da matemática nos primeiros anos escolares.
Os dados acendem um alerta também em cidades como Ribeirão Preto, onde o debate sobre qualidade da Educação Infantil, formação de professores e infraestrutura escolar segue entre os principais desafios das redes públicas.
Segundo a pesquisa, práticas relacionadas à leitura e escrita apresentam cenário mais avançado: 76% das redes afirmaram desenvolver ações estruturadas ligadas à linguagem e cultura escrita.
A gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sonia Dias, afirmou que o avanço parcial das estratégias matemáticas mostra que o país possui experiências concretas e capacidade de expansão, mas ainda enfrenta um problema de desigualdade educacional.
O estudo também identificou entraves importantes enfrentados pelas secretarias municipais, principalmente em relação à infraestrutura escolar, apontada por 23% dos gestores como principal dificuldade da Educação Infantil. A inclusão de crianças com deficiência aparece logo em seguida, com 15%.
Outro ponto que chamou atenção foi a dificuldade das redes em promover transição estruturada entre Educação Infantil e Ensino Fundamental. Apenas 29% das redes afirmam realizar planejamento conjunto entre as etapas educacionais.
Segundo o presidente nacional da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, a Educação Infantil representa etapa decisiva para o desenvolvimento social e educacional das crianças, exigindo planejamento contínuo e atualização das práticas pedagógicas.
A pesquisa ainda revelou que 67% das redes municipais recebem algum tipo de apoio estadual, mas a maior parte dos municípios ainda reivindica mais assistência financeira, investimentos em infraestrutura e formação profissional.
Especialistas apontam que os resultados refletem um desafio nacional que também impacta cidades do interior paulista, como Ribeirão Preto, onde o crescimento populacional e a demanda por vagas em creches e pré-escolas aumentam a pressão sobre a estrutura da rede pública.
Mín. 20° Máx. 35°




