
Algumas pessoas escolhem a música. Outras parecem nascer escolhidas por ela. No caso de Leonardo Freitas, a relação com a arte foi construída de forma tão natural que hoje é difícil separar o homem do músico.
Mais do que um pianista ou compositor, Leonardo é alguém que encontrou na música uma forma de conversar com o mundo.
A música como forma de expressão
Ao contrário do que muitos imaginam, Leonardo afirma que existe pouca diferença entre quem ele é no palco e quem é fora dele.
Para ele, a música é apenas mais uma maneira de compartilhar ideias, sentimentos e descobertas. Assim como gosta de indicar um livro, comentar um filme ou dividir uma nova experiência com amigos, ele vê cada apresentação como uma oportunidade de comunicação.
“Eu busco me comunicar. Busco fazer com que as pessoas sintam o que eu sinto e entendam o que eu penso”, resume.
As primeiras influências vieram de casa
A paixão pela música brasileira começou ainda na infância.
Dentro de casa, Leonardo cresceu ouvindo música popular brasileira, principalmente a música caipira. Mais tarde, durante a adolescência, o samba passou a ocupar um espaço importante em sua formação musical.
O piano surgiu em outro momento, já como uma escolha profissional. Foi quando o amor pela música encontrou o estudo técnico e a decisão de transformar a arte em profissão.
Segundo ele, sua trajetória foi construída justamente pela união desses dois universos: a espontaneidade da música popular e a disciplina do estudo acadêmico.
Leonardo Freitas graduou-se em Música pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e em Piano Popular pela Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP). Ao longo da carreira, construiu uma trajetória marcada por importantes parcerias artísticas, dividindo o palco com nomes como Verônica Ferriani, Carrapicho Rangel, Isaías Buenos de Almeida, Dirceu Leite, Pedro Amorim, Oscar Bolão e João Camarero, entre outros artistas de destaque da música brasileira.
Com três CDs lançados, sendo um deles contemplado e premiado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), Leonardo também levou sua música para diferentes regiões do Brasil, realizando apresentações em unidades do SESC, SESI e diversas casas de espetáculo. Sua trajetória internacional inclui apresentações na Argentina, Uruguai, Portugal, Inglaterra, Bélgica, Holanda e França, ampliando o alcance de seu trabalho e consolidando sua atuação além das fronteiras brasileiras.
O reencontro com Ribeirão Preto
Como muitos jovens artistas, Leonardo também passou pela fase de admirar os grandes centros culturais do país, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro.
Com o tempo, porém, descobriu que Ribeirão Preto guardava uma riqueza cultural própria.
A cidade, segundo ele, teve papel fundamental em sua formação através de professores, amigos e músicos que marcaram sua trajetória. Além disso, destaca o crescimento de Ribeirão como uma referência importante para o choro e para a valorização de compositores e instrumentistas.
“Foi um processo descobrir Ribeirão na minha música e a beleza da música produzida aqui”, afirma.
O álbum que marcou uma geração
Ao longo da carreira, Leonardo participou de diversos projetos e lançou três CDs. Quando questionado sobre qual deles mais marcou sua trajetória, ele admite que a escolha não é simples.
Ainda assim, um trabalho ocupa um lugar especial em sua memória.
Trata-se do álbum gravado com o grupo Flor de Aguapé, lançado em 2017. O projeto reuniu composições inéditas de autores do interior paulista e recebeu reconhecimento nacional ao ser incluído entre os destaques da crítica especializada daquele ano.
Para o artista, o trabalho representou um importante momento de pesquisa, criação e valorização da música produzida fora dos grandes centros.
O mistério da composição
Nem mesmo Leonardo consegue explicar exatamente como nascem suas músicas.
Algumas surgem durante momentos planejados de criação. Outras aparecem de forma inesperada.
Ele conta que uma de suas composições mais recentes nasceu durante uma simples passagem de som em Ribeirão Preto. Sentou-se ao piano, começou a tocar e, poucas horas depois, a música estava pronta.
“Às vezes parece que ela simplesmente chega”, conta.
O desafio de fazer música autoral no Brasil
Quando o assunto é o cenário cultural brasileiro, Leonardo acredita que um dos principais desafios está na valorização da produção artística independente.
Para ele, artistas que trabalham com música instrumental, autoral ou fora das tendências comerciais precisam de espaços para apresentar seus trabalhos e continuar produzindo.
O músico defende a importância dos incentivos culturais e acredita que a cultura deve ser vista como uma necessidade permanente da sociedade, e não como algo excepcional.
Sonhos que ainda estão por vir
Mesmo com uma trajetória consolidada, Leonardo ainda tem muitos projetos pela frente.
Entre eles está o desejo de realizar um trabalho totalmente solo.
A ideia é assumir sozinho todas as etapas de um espetáculo, desde a concepção artística até a relação direta com o público.
Mais do que um novo projeto, ele vê essa possibilidade como um desafio emocional e artístico.
Enquanto esse momento não chega, Leonardo segue fazendo aquilo que sempre guiou sua carreira: usando a música para criar conexões, compartilhar histórias e transformar sentimentos em arte.
Porque, para ele, tocar nunca foi apenas executar notas. Sempre foi uma forma de conversar com as pessoas.
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