
Ribeirão Preto começa 2026 sob o impacto direto de um fenômeno que deixou de ser estatística distante para virar rotina urbana. O Brasil fechou dezembro com 73,4 milhões de consumidores negativados, o equivalente a 44 por cento da população adulta. É o maior patamar da história. E essa onda já chegou ao coração econômico do interior paulista.
Na prática, isso significa menos crédito aprovado, mais compras recusadas, mais gente pedindo prazo, renegociação e desconto. Lojistas da cidade relatam aumento no número de clientes que não conseguem parcelar, atrasam pagamentos ou simplesmente desistem da compra ao descobrir que o nome está restrito.
O dado nacional revela que o número de inadimplentes cresceu 10,17 por cento em um ano. Em dezembro, mês tradicionalmente impulsionado pelo 13º salário, houve aumento de devedores, quando o esperado era alívio. O sinal é claro. As famílias já chegaram ao limite.
Em Ribeirão, onde o comércio sempre foi motor regional, o reflexo é imediato. Setores como móveis, eletrodomésticos, vestuário e serviços sentem a retração. O consumidor entra mais cauteloso, compara mais, compra menos. O dinheiro virou item de sobrevivência, não de desejo.
Outro dado preocupante é o perfil da dívida. Quase três em cada dez brasileiros devem até 500 reais. Ou seja, não se trata de luxo, mas de contas básicas. Energia, água, telefone e bancos lideram os atrasos. A dívida média nacional já passa de 4.800 reais por pessoa negativada. É o tipo de valor que não se resolve com um salário extra.
O cenário muda o humor da cidade. O crédito mais caro afeta pequenos negócios, trava investimentos e reduz a circulação de dinheiro. O comerciante vende menos, o fornecedor recebe depois, o emprego fica mais frágil. A engrenagem desacelera.
Ribeirão Preto, acostumada a crescer acima da média nacional, agora encara o desafio de operar em um país onde quase metade dos adultos está fora do jogo do crédito. A crise não está nos gráficos. Está no caixa vazio, no carrinho abandonado, na compra adiada.
O Brasil entrou em 2026 com o nome sujo. Ribeirão já sente o peso disso todos os dias.
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