
A música chegou cedo à vida dele. Ainda criança, por volta dos sete anos de idade, ouviu pela primeira vez o álbum Let It Be, dos Beatles, levado para casa pelo pai. Mesmo sem compreender as letras ou o significado das canções, algo naquele momento despertou um sentimento que o acompanharia por toda a vida: o desejo de fazer parte daquele universo.
Na adolescência, impulsionado pelas bandas que dominavam a programação da MTV, sonhava em tocar guitarra como John Frusciante, do Red Hot Chili Peppers. Mas o destino tinha outros planos. Entre amigos que já tocavam violão e guitarra, faltava apenas um baterista para completar a banda. Foi assim que, quase por acaso, ele encontrou o instrumento que se tornaria sua principal forma de expressão.
Os primeiros anos foram guiados pela intuição e pela paixão. Somente aos 19 anos iniciou os estudos formais ao conhecer Thiago Carbonari, professor que se transformou em mentor e referência profissional. Mais do que ensinar técnica, Carbonari abriu portas para o universo do conservatório, da educação musical e da produção artística, influenciando diretamente os rumos da carreira que começava a ser construída.

Em 2013 veio uma das decisões mais difíceis de sua vida: abandonar a segurança de um emprego convencional para apostar integralmente na música. O caminho não foi simples. Entre salas de aula, ensaios, shows e incertezas, enfrentou momentos de frustração e desafios pessoais. Foi nesse período que aprendeu uma das lições que carrega até hoje: antes de conquistar o mundo exterior, era preciso encontrar equilíbrio consigo mesmo.
Com o passar dos anos, a dedicação deu frutos. Em 2021, passou a integrar a banda Blues in Vain, projeto que considera um divisor de águas em sua trajetória. Além da atuação como baterista, descobriu uma nova vocação como produtor artístico, ampliando sua visão sobre o mercado musical e suas possibilidades criativas.

A experiência também o levou a retomar a parceria com a cantora Carol Viana, com quem já havia trabalhado anteriormente. Hoje, além das baquetas, participa da produção musical e artística de seus projetos. Paralelamente, mantém colaborações com Regis Martins & Cia Fantasma, grupo com o qual gravou trabalhos autorais, e com o músico Rod Ruiz. Em 2025, criou ainda o Jazz in Vain, uma vertente instrumental que lhe permite explorar novas sonoridades e arranjos.
Ao olhar para trás, alguns momentos ganham significado especial. Um deles aconteceu durante um festival de jazz e blues, quando o renomado baterista Zé Eduardo Nazário utilizou seu kit de bateria em uma apresentação e, ao final, deixou sua assinatura no instrumento. O gesto simbolizou muito mais do que uma homenagem: representou a sensação de estar ocupando um lugar legítimo na história da música que sempre admirou.
Outro marco foi subir ao palco em eventos que receberam grandes nomes do blues mundial e participar da produção de trabalhos que hoje carregam sua assinatura como músico e produtor.
Entre suas principais influências estão Beatles, Red Hot Chili Peppers, Chad Smith e Taylor Hawkins. Mas sua visão musical vai muito além dos estilos e das fronteiras. Ele encontra inspiração tanto nos pioneiros do blues quanto em grandes nomes da música brasileira, construindo uma identidade artística marcada pela diversidade e pela liberdade criativa.
Para ele, Ribeirão Preto vive um momento especial. A cidade, afirma, possui uma cena musical rica e plural, capaz de acolher diferentes estilos e artistas. Um ambiente que, na sua visão, continua crescendo e criando oportunidades para quem escolhe viver da arte.
Mais do que técnica ou reconhecimento profissional, a música lhe ensinou valores que ultrapassam os palcos. O respeito às diferenças e o espírito transgressor são elementos que moldam não apenas seu trabalho, mas também sua forma de enxergar a vida.
Ao pensar no legado que deseja deixar, a resposta surge de maneira simples e sincera: transmitir amor pela arte e inspirar as pessoas a expressarem sua verdadeira essência. Seja em salas de aula, estúdios ou apresentações ao vivo, acredita que a música é uma ferramenta poderosa de liberdade e autoconhecimento.
E os sonhos continuam. Entre os próximos projetos está a conclusão de uma obra autoral que pretende reunir sua trajetória em forma de canções — um trabalho que promete transformar memórias, desafios e conquistas em música, fechando um ciclo e, ao mesmo tempo, abrindo novos caminhos para uma história que continua sendo escrita a cada batida.
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