
O aumento da inadimplência entre empresas brasileiras voltou a acender um alerta para o setor produtivo, e os reflexos também são sentidos em Ribeirão Preto, um dos principais polos econômicos do interior paulista. Dados do Serasa Experian mostram que o estado de São Paulo lidera o ranking nacional de empresas negativadas, com 3.094.295 CNPJs inadimplentes registrados em maio de 2026.
Segundo o levantamento, o Sudeste concentrou 4.984.589 empresas inadimplentes, responsáveis por 35.583.998 dívidas, que somaram aproximadamente R$ 128,2 bilhões. Apenas em São Paulo, além do maior número de empresas negativadas, também foi registrada a maior dívida média por empresa da região, de R$ 27.176,03.
Embora o estudo apresente dados estaduais, o cenário serve de alerta para cidades como Ribeirão Preto, onde milhares de empresas dos setores de comércio, serviços, saúde, tecnologia, agronegócio e alimentação movimentam a economia local. O aumento das dificuldades financeiras pode impactar investimentos, geração de empregos e o ritmo de crescimento econômico da região.
No cenário nacional, o Brasil atingiu um novo recorde de inadimplência empresarial. Ao todo, mais de 9 milhões de empresas estavam negativadas em maio, acumulando R$ 229,9 bilhões em dívidas. Em média, cada CNPJ inadimplente possuía sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os números mostram que muitas empresas enfrentam dificuldades não apenas para evitar a negativação, mas também para reduzir o volume de dívidas acumuladas.
Segundo a especialista, fatores como juros elevados, crédito mais restritivo e desaceleração da atividade econômica dificultam a recomposição do caixa das empresas, comprometendo o capital de giro e tornando mais lenta a recuperação financeira dos negócios.
O levantamento aponta ainda que o setor de Serviços concentra 55,6% das empresas inadimplentes, seguido pelo Comércio (32,3%), Indústria (8,1%) e Setor Primário (0,9%). Em uma cidade como Ribeirão Preto, cuja economia é fortemente baseada na prestação de serviços, comércio e atividades ligadas ao agronegócio, esses segmentos representam parte significativa da atividade empresarial.
Outro dado que chama atenção é a situação das micro e pequenas empresas, responsáveis por 8,5 milhões dos CNPJs negativados no país. Juntas, elas acumulam 59 milhões de dívidas, que somam R$ 198,8 bilhões. Em média, cada pequeno negócio possui quase sete pendências financeiras.
Para especialistas, a recuperação desse cenário dependerá da melhora das condições de crédito, da retomada da atividade econômica e do fortalecimento do consumo, fatores considerados fundamentais para cidades com forte vocação empreendedora, como Ribeirão Preto.
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