
O processo de interiorização da indústria brasileira tem ganhado força nas últimas décadas e ampliado a importância econômica de cidades médias, como Ribeirão Preto, e de outras regiões do interior paulista. É o que aponta o estudo "A Indústria no Território: 40 anos de redistribuição regional da indústria de transformação brasileira", divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
A pesquisa, que analisa o período entre 1985 e 2024, mostra que a indústria de transformação vem reduzindo sua concentração nos grandes centros, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, e migrando para municípios do interior e estados das regiões Centro-Oeste e Sul. Segundo o levantamento, fatores como custos operacionais elevados, dificuldades logísticas, valorização imobiliária e a expansão do agronegócio têm impulsionado essa mudança.
Embora Ribeirão Preto não esteja entre os principais polos industriais do país, o município ocupa posição estratégica por estar inserido em uma das regiões mais fortes do agronegócio brasileiro. A cidade concentra empresas ligadas aos setores sucroenergético, alimentício, máquinas agrícolas, biotecnologia, saúde e serviços especializados, além de funcionar como centro regional de negócios, inovação e logística para o interior paulista.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, José Roberto Colnaghi, o crescimento do agronegócio abriu novas fronteiras para a instalação de indústrias. "O crescimento expressivo do agronegócio nas últimas décadas, aliado às dificuldades logísticas e ao custo elevado nos grandes centros, abriu naturalmente novas fronteiras", afirmou.
O estudo do IEDI mostra ainda que, em 1985, cerca de um terço dos empregos industriais estava localizado no interior do país. Em 2024, esse percentual passou para 54,4%, demonstrando uma mudança significativa na distribuição da atividade industrial brasileira. No estado de São Paulo, a transformação também foi expressiva: a participação do interior nos empregos industriais aumentou de 29,2% para 52,9% no mesmo período.
Especialistas apontam que cidades do interior passaram a oferecer vantagens competitivas importantes, como infraestrutura logística, disponibilidade de áreas para expansão, universidades, centros de pesquisa, incentivos fiscais e custos operacionais inferiores aos das regiões metropolitanas.
Além da expansão do interior paulista, o levantamento destaca o crescimento industrial em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, impulsionado principalmente pela força do agronegócio. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões em 2025, representando 48,5% de todas as exportações brasileiras.
Mesmo com a redistribuição da atividade industrial, São Paulo permanece como o maior polo manufatureiro do país. No entanto, sua participação relativa diminuiu ao longo das últimas décadas. Segundo o IEDI, a indústria representava 38,3% do PIB paulista em 1985 e passou para 18,3% em 2023, enquanto a participação do emprego industrial caiu de 37,2% para 17,1% entre 1985 e 2024.
Para os pesquisadores, o fortalecimento das cidades do interior contribui para reduzir desigualdades regionais, ampliar a geração de empregos e consolidar novos polos de desenvolvimento econômico fora das capitais, tendência que deve continuar nos próximos anos com o avanço da infraestrutura logística e da cadeia do agronegócio.
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