
A Geração Z, formada por jovens nascidos entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, apresenta atualmente a maior intenção de compra de imóveis entre os diferentes grupos geracionais do Brasil. O comportamento começa a influenciar o planejamento de novos empreendimentos, inclusive no mercado imobiliário de Ribeirão Preto.
Segundo levantamento referente ao primeiro trimestre de 2026 da Brain Inteligência Estratégica, 49% dos brasileiros declaram a intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses. Entre os integrantes da Geração Z, o percentual chega a 59%.
O índice registrado entre os jovens avançou 10 pontos percentuais em comparação com o início de 2025, quando 49% dos entrevistados dessa geração demonstravam interesse na compra.
Os dados são nacionais e não representam uma medição exclusiva de Ribeirão Preto. Entretanto, empresas com atuação no município relatam mudanças no perfil dos compradores e passam a considerar as preferências desse público na concepção de novos projetos.
Apesar do interesse elevado, a própria pesquisa destaca que a intenção nem sempre se transforma imediatamente em aquisição.
Nos 12 meses anteriores ao levantamento, apenas 9% das famílias entrevistadas efetivamente compraram um imóvel. Entre aqueles que manifestaram interesse, 35% ainda não haviam iniciado a busca, 9% pesquisavam pela internet e somente 5% já realizavam visitas presenciais.
Segundo a Brain, fatores como condições de crédito, capacidade de pagamento, valor da entrada, adequação do imóvel às expectativas e momento de vida influenciam a conversão do interesse em compra.
O levantamento também aponta que 72% das aquisições são destinadas à moradia. Entre as motivações aparecem transições como sair do aluguel, formar uma família ou buscar mais espaço.
A mudança de comportamento já é percebida pela Perplan Incorporação, empresa sediada em Ribeirão Preto e com atuação nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
De acordo com dados fornecidos pela incorporadora, embora os jovens ainda não representem a maior parcela de seus compradores, o volume de vendas para integrantes da Geração Z no primeiro semestre de 2026 superou todo o resultado registrado com esse público ao longo de 2025.
A empresa não informou os números absolutos das vendas nem o percentual que os jovens representam em sua carteira total de clientes. Por isso, os dados indicam uma tendência interna da companhia, mas não permitem dimensionar o comportamento de todo o mercado imobiliário de Ribeirão Preto.
“Mais do que ingressar no mercado imobiliário, esse público influencia a forma como os empreendimentos são concebidos. Se antes fatores como metragem e preço concentravam boa parte da decisão, hoje atributos ligados ao estilo de vida ganham cada vez mais relevância”, afirma Rafael Batista, diretor de Incorporação da Perplan.
Entre os atributos observados estão localização estratégica, facilidade de deslocamento, segurança, proximidade de serviços e estruturas destinadas ao lazer e ao bem-estar.
A preferência por praticidade também se reflete na inclusão de mercados autônomos, espaços para trabalho remoto, áreas de convivência e estruturas de lazer nos projetos residenciais.
“É um público que valoriza praticidade, mobilidade, qualidade de vida e soluções que facilitem o dia a dia. Mais do que comercializar um imóvel, o desafio é desenvolver empreendimentos alinhados ao comportamento e às expectativas dessa geração”, destaca.
Em Ribeirão Preto, essa tendência pode favorecer projetos próximos a áreas comerciais, serviços de saúde, instituições de ensino, corredores de transporte e locais de lazer. Contudo, preço, crédito e capacidade financeira continuam sendo fatores decisivos para a concretização da compra.
A busca por independência, a intenção de deixar o aluguel e o planejamento de uma vida a dois aparecem entre as razões que levam jovens a considerar a aquisição antecipada.
Aos 24 anos, Leonardo Henrique Reigota decidiu comprar o primeiro imóvel por considerar a aquisição uma estratégia patrimonial e financeira de longo prazo.
“Para mim, comprar um imóvel cedo significa começar a construir patrimônio desde já. É um investimento que tende a se valorizar, pode se tornar sua casa própria e ainda oferece a possibilidade de gerar renda no futuro. São benefícios que fazem valer a pena em todos os cenários.”
A avaliação representa a experiência pessoal do comprador e não constitui garantia de valorização. O desempenho de um imóvel depende de fatores como localização, condições econômicas, características do empreendimento, oferta, demanda e custos relacionados à aquisição e manutenção.
Embora a Geração Z demonstre interesse acima da média, o acesso ao crédito e a formação do valor de entrada continuam limitando a transformação desse desejo em compra efetiva.
O financiamento exige análise de renda, histórico financeiro, capacidade de pagamento e comprometimento mensal. Além das parcelas, o comprador também deve considerar despesas com documentação, impostos, condomínio, manutenção e possíveis custos de mudança.
A Brain Inteligência Estratégica avalia que o mercado apresenta uma demanda consistente, mas ainda enfrenta dificuldades na conversão do interesse em vendas.
O cenário indica que a Geração Z não abandonou o objetivo da casa própria. O desafio para o setor imobiliário será desenvolver produtos compatíveis com as preferências desse público sem desconsiderar preço, condições de entrada e acesso ao financiamento.
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