O comércio brasileiro desacelerou em 2025 e os reflexos já são sentidos em cidades como Ribeirão Preto, onde o varejo é um dos principais motores da economia local. Dados do IBGE mostram que o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceu apenas 0,1% no ano passado, após avanço de 3,7% em 2024. No varejo restrito, o crescimento foi de 1,6%, também abaixo do ritmo anterior.
Para uma cidade com forte presença de shopping centers, comércio de rua tradicional, setor automotivo ativo e expansão imobiliária constante, o número quase estagnado acende um sinal de atenção.
O cenário foi marcado por juros elevados, crédito mais caro, aumento da inadimplência e menor confiança do consumidor. A taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, impactando diretamente compras parceladas e financiamentos, especialmente de bens duráveis.
Em Ribeirão, segmentos como móveis, eletrodomésticos, veículos e materiais de construção sentiram o peso desse ambiente. O consumidor ficou mais seletivo, priorizando despesas essenciais e reduzindo compras de maior valor agregado.
Por outro lado, o mercado de trabalho trouxe um alívio parcial. No Brasil, a taxa de desemprego encerrou o quarto trimestre de 2025 em 5,1%, uma das menores da série histórica recente. A renda média real cresceu 5% no ano. O comércio nacional foi responsável por 247 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, ficando atrás apenas do setor de serviços.
Mesmo assim, o ritmo de criação de vagas formais perdeu força, refletindo um ambiente de maior cautela empresarial.
Para o varejista ribeirão-pretano, o desafio em 2025 foi equilibrar estoque, crédito e fluxo de caixa em meio ao aumento do endividamento das famílias. O crédito continuou crescendo, mas encontrou limite na capacidade de pagamento do consumidor.
A principal expectativa agora está na política monetária. Na última ata do Comitê de Política Monetária, o Copom manteve a Selic em 15%, mas sinalizou que deve iniciar o ciclo de redução na reunião de março.
Se confirmada, a queda dos juros pode representar um ponto de virada. Redução no custo do crédito tende a estimular financiamentos, aliviar parcelas e reaquecer setores sensíveis ao parcelamento.
Para Ribeirão Preto, onde o comércio é forte gerador de emprego e renda, a possível queda da Selic pode significar retomada gradual do consumo ao longo de 2026, especialmente em datas estratégicas como Dia das Mães, Black Friday e Natal.
O crescimento de 2025 foi modesto, mas não caracteriza retração estrutural. O setor segue resiliente, sustentado por emprego em nível elevado e renda maior. O desafio agora é atravessar o período de juros altos e se posicionar para um novo ciclo de consumo.
Para o lojista local, a palavra do momento é estratégia. Para o consumidor, cautela. E para a economia, expectativa.