O Alzheimer, doença que atinge milhões de famílias brasileiras, ganha voz e corpo no palco do Sesc Ribeirão Preto nesta terça-feira (24). A peça “Meu Nome: Mamãe”, estrelada e dirigida por Aury Porto, terá duas apresentações gratuitas, às 16h e às 19h30.
O espetáculo nasce da experiência real do ator com sua própria mãe, que convive com o Mal de Alzheimer há quase duas décadas. A partir dessa vivência, a montagem constrói uma dramaturgia sensível, em que memória, imaginação e afeto se entrelaçam de forma profunda e poética.
Em cena, duas figuras conduzem a narrativa: Filho e Mãe. As personagens se alternam em um delicado jogo de trocas, criando uma dinâmica que transita entre a memória fragmentada de quem vive com a doença e um território quase onírico, onde lembranças se misturam a imagens e situações que emergem do inconsciente.
A encenação não se limita ao relato pessoal. Ao transformar o testemunho íntimo em arte, “Meu Nome: Mamãe” amplia o debate sobre o envelhecimento e as doenças associadas a essa fase da vida. Segundo Aury Porto, o Brasil está deixando de ser um país predominantemente jovem e precisa encarar a velhice como um fenômeno social que exige atenção, empatia e políticas públicas adequadas.
Ao colocar a fragilidade da memória no centro da narrativa, o espetáculo provoca o público a refletir sobre identidade, cuidado e vínculos familiares. Em tempos de aumento da expectativa de vida e crescimento dos casos de demência, a peça surge como um convite à sensibilidade e à escuta.
Com entrada gratuita, a apresentação no Sesc promete emocionar e, ao mesmo tempo, provocar uma discussão necessária sobre o impacto do Alzheimer não apenas na vida de quem recebe o diagnóstico, mas também na de quem permanece ao lado.





