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PROJETO CIENTÍFICO ESTÁ MAPEANDO E REVELANDO AS CACHOEIRAS GIGANTES DO BRASIL

Instituto Museu das Cachoeiras reúne pesquisa científica, documentação ambiental, turismo sustentável e educação; iniciativa prevê inventários detalhados das maiores quedas d’água do país

01/09/2026 às 13h11
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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Equipe presente na medição da Cachoeira do Tabuleiro, em MG
Equipe presente na medição da Cachoeira do Tabuleiro, em MG

Um projeto iniciado a partir da constatação de que o Brasil não dispunha de informações técnicas consolidadas sobre suas maiores quedas d’água pretende ampliar o conhecimento científico sobre esse patrimônio natural e transformar os dados coletados em instrumentos de conservação, educação ambiental e desenvolvimento turístico. O Projeto Cachoeiras Gigantes é conduzido pelo Instituto Museu das Cachoeiras, associação privada sem fins lucrativos voltada à pesquisa, documentação e preservação de cachoeiras.

Segundo informações do próprio Instituto, o trabalho que deu origem ao projeto começou em 2016, inicialmente com medições realizadas pelo engenheiro Leomar Nestor Teichmann no Rio Grande do Sul. Desde então, a iniciativa passou a reunir informações sobre cachoeiras de diferentes regiões brasileiras. O site oficial informa atualmente que há mais de 5 mil quedas d’água mapeadas e aguardando medição. 

A proposta vai além de estabelecer a altura das cachoeiras. O planejamento apresentado pelo projeto prevê reunir dados hidrológicos, geológicos, topográficos, biológicos e antropológicos, além de com informações relacionadas à fauna, flora, qualidade da água, acessibilidade e potencial turístico das áreas estudadas.

Cachoeira dos Pretos - Joanópolis - SP

Medições já mudaram informações sobre cachoeiras

Um dos casos que ganharam projeção a partir desse trabalho é o da Cachoeira Porã, localizada em Maquiné, no Rio Grande do Sul. A galeria oficial do Instituto registra a queda com 450 metros de altura. A medição também ganhou repercussão nacional e apareceu em levantamentos divulgados pelo Ministério do Turismo. 

O caso exemplifica um dos problemas que motivaram o projeto. Segundo o Instituto, quando as primeiras medições começaram, em 2016, informações disponíveis em publicações e páginas na internet apresentavam dados desatualizados ou imprecisos sobre algumas das maiores quedas d’água brasileiras. 

Medições recentes também vêm alterando referências tradicionais. Em Minas Gerais, por exemplo, trabalhos atribuídos ao Instituto revisaram dados da Cachoeira do Tabuleiro e modificaram sua posição entre as maiores quedas do estado e do país. 

Cachoeira do Quiriri - Garuva - SC

Ciência para além da altura

O material de apresentação do Projeto Cachoeiras Gigantes detalha uma metodologia que inclui classificação das cachoeiras, caracterização da geomorfologia, delimitação das áreas de estudo e das bacias de captação, georreferenciamento de nascentes, topo e base das quedas e levantamento topográfico.

Também estão previstos mapeamento digital a laser com tecnologia LiDAR, inventários de fauna e flora, análises da qualidade do ar e da água, identificação de trilhas, avaliação da acessibilidade e estudos sobre o potencial turístico.

A proposta é que equipes multidisciplinares participem das expedições. Entre as áreas profissionais relacionadas no projeto estão engenharia, cartografia, geografia, geologia, biologia, bioquímica, topografia, turismo, fotografia, educação ambiental, jornalismo, especialistas em atividades com cordas e atividades especializadas especialistas em ambientes naturais.

O próprio Instituto destaca que catalogar uma cachoeira não significa apenas determinar sua localização e altura. A intenção é formar um conjunto de informações capaz de auxiliar tanto no conhecimento científico quanto no planejamento de ações de conservação dos ecossistemas onde as quedas estão inseridas. 

Cachoeiras do Gambá e Capivari - Santa Bárbara - MG

Atuação prevista em diferentes estados

Na apresentação encaminhada pelo Instituto, a primeira etapa do projeto prevê trabalhos em 20 das 27 unidades da Federação, incluindo São Paulo. O documento também estabelece metas de campo e de catalogação das grandes quedas d’água brasileiras.

De acordo com a apresentação, 600 cachoeiras serão medidas e 200 serão catalogadas com a presença das equipes científicas em campo.

O material enviado também afirma que mais de 150 municípios poderão receber ações das equipes e estima impacto direto sobre mais de 3 milhões de brasileiros. Esses números são projeções do Instituto e não foram apresentados como resultados já consolidados.

Turismo e desenvolvimento local

Além da pesquisa ambiental, o Instituto pretende utilizar o conhecimento produzido para estimular o turismo sustentável e a economia criativa nas comunidades próximas às cachoeiras.

Entre as ações previstas estão diagnósticos dos setores turístico e ambiental dos municípios, cursos, oficinas, workshops, palestras e capacitações. A proposta é transformar as características naturais de cada região em oportunidades de desenvolvimento, sem dissociá-las da conservação ambiental.

A Cachoeira Porã é citada pelo Instituto como exemplo desse potencial. Localizada em Maquiné, ela tem 450 metros e passou a receber maior atenção após as medições e a divulgação de informações sobre a queda. 

Museu virtual e produção audiovisual

Outra frente prevista é a criação de uma plataforma digital para reunir e divulgar o material produzido durante as expedições.

O projeto prevê atlas geológicos, fotográficos, científicos e biológicos, além de livros, fotolivros, documentários, séries, conteúdos para internet e materiais destinados às comunidades próximas às cachoeiras.

Segundo a apresentação, parte dos dados também deverá ser disponibilizada a órgãos públicos, universidades, entidades e pesquisadores interessados para fins não comerciais.

O Instituto Museu das Cachoeiras informa que atua na promoção da pesquisa científica, no desenvolvimento do turismo e na educação ambiental e científica, com atividades voltadas à preservação da natureza e à disseminação do conhecimento. Sua missão institucional é pesquisar, documentar, preservar e divulgar cachoeiras brasileiras e de outros países. 

A organização também prevê parcerias e acordos de cooperação com instituições públicas e privadas para viabilizar projetos relacionados à pesquisa, educação e conservação.

A proposta central é que as informações coletadas em campo não permaneçam restritas ao meio científico. O projeto pretende transformá-las em conhecimento acessível às comunidades, turistas, pesquisadores e gestores públicos, aproximando preservação ambiental, educação e desenvolvimento sustentável.

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