
A arte de Waldomiro Sant’Anna atravessa décadas, cidades e países, mas Ribeirão Preto ocupa um espaço especial nessa trajetória. É na cidade onde vive atualmente e onde construiu parte importante de sua história artística que o pintor apresenta “A Furiosa”, exposição em cartaz no Centro de Arte Contemporânea W (CAC W), com curadoria de Yolanda Cipriano.
A mostra foi aberta em 1º de setembro e terá visitação até 7 de novembro de 2026, sempre aos sábados, das 13h às 18h. A entrada é livre e gratuita. Realizada em parceria com o Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), “A Furiosa” integra a programação oficial do 51º SARP — Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo.
Mais do que uma nova exposição, a presença de Waldomiro na programação permite revisitar uma carreira construída ao longo de mais de meio século. Sua história com as artes começou ainda jovem e ganhou força na década de 1970. Waldomiro estudou Belas Artes e também atuou como professor de artes em instituições de ensino médio e superior. Desde então, fez da pintura um caminho permanente.
Ao longo dessa caminhada, participou de inúmeros salões de arte, recebeu premiações e realizou exposições individuais e coletivas. Seus trabalhos ultrapassaram as fronteiras brasileiras e chegaram a países como França, Espanha, Portugal e China. O currículo do artista registra ainda exposições em diferentes cidades brasileiras e uma sequência de participações que ajuda a dimensionar a longevidade de sua produção.

Apesar da extensa trajetória, a obra de Waldomiro permanece próxima de algo simples e universal: o ser humano. O cotidiano, as relações, as paixões, as alegrias, as angústias e os sonhos aparecem como matéria-prima de suas pinturas.
Seu trabalho é associado à figuração moderna e ao expressionismo lírico. São obras nas quais personagens, formas e cores ajudam a contar pequenas histórias e a registrar cenas que parecem familiares ao observador.
Músicos, mulheres, crianças, festas e brincadeiras de rua estão entre os elementos que aparecem em sua produção. É justamente essa capacidade de transformar cenas e personagens cotidianos em uma linguagem artística própria que acompanha Waldomiro ao longo dos anos.
Em texto sobre o pintor, o historiador e professor Jaime Pinsky observa referências que podem remeter a nomes consagrados da arte, como Di Cavalcanti, Portinari, Chagall e Picasso, mas destaca que Waldomiro preserva uma identidade particular. Pinsky chama atenção para suas cores, formas e temas recorrentes e encerra sua análise com uma frase que sintetiza sua percepção sobre o artista: “Waldomiro é modesto. Sua obra não é”.

Se a carreira de Waldomiro ganhou o mundo, Ribeirão Preto permaneceu presente em diferentes momentos de sua história.
Seu currículo registra a participação no primeiro Salão de Arte de Ribeirão Preto, em 1975. Nos anos seguintes, o artista voltou a participar da vida cultural da cidade, com exposições e presença em novas edições do salão. Em 1983, recebeu o Prêmio Aquisição pelo conjunto de obras no VIII Salão de Arte de Ribeirão Preto e, em 1984, conquistou outro Prêmio Aquisição, desta vez no IX Salão.
A relação continuou nas décadas seguintes. Waldomiro realizou exposições individuais em espaços de Ribeirão Preto e, em 1998, apresentou uma individual no Museu de Arte de Ribeirão Preto. Seu currículo também registra, em 2013, uma exposição acompanhada do lançamento do livro “A Arte de Waldomiro Sant’Anna”, na Sala dos Espelhos do Theatro Pedro II, durante a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
Em 2023, essa proximidade ganhou um significado ainda mais pessoal: Waldomiro transferiu seu ateliê e residência de São Paulo para Ribeirão Preto. No ano seguinte, realizou nova exposição individual na cidade. Em 2025, seu percurso teve continuidade com uma exposição ao lado do artista Adelio Sarro, na Art Factory, em São Paulo.
É nesse contexto que “A Furiosa” chega ao público. A exposição aproxima passado e presente de um artista que participou de diferentes momentos da cena cultural de Ribeirão Preto e que continua produzindo e apresentando seu trabalho.
A presença da mostra na programação do 51º SARP acrescenta ainda um componente simbólico a esse reencontro. Waldomiro participou da primeira edição do Salão de Arte de Ribeirão Preto, em 1975, e, mais de cinco décadas depois, tem seu trabalho novamente relacionado à programação do evento.

A exposição “A Furiosa”, de Waldomiro Sant’Anna, tem curadoria de Yolanda Cipriano e está no Centro de Arte Contemporânea W (CAC W), na Rua Nélio Guimarães, 1300, no Alto da Boa Vista, em Ribeirão Preto.
A visitação segue até 7 de novembro de 2026, aos sábados, das 13h às 18h. A entrada é livre e gratuita. Informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected].
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