
Morar sozinho deixou de ser uma realidade restrita a uma pequena parcela da população brasileira. Em 13 anos, o número de pessoas vivendo em domicílios com apenas um morador mais que dobrou no país, provocando mudanças que também começam a ser observadas pelo mercado imobiliário.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Brasil chegou a 15,6 milhões de domicílios unipessoais em 2025. Em 2012, eram 7,5 milhões.
O avanço foi de 109,8% no período. Com isso, os domicílios formados por uma única pessoa passaram a representar 19,7% das residências brasileiras, maior participação da série histórica. Na prática, quase uma em cada cinco moradias do país possui apenas um residente.
A transformação na composição das famílias também chama a atenção do setor imobiliário, que acompanha como novos hábitos e diferentes formas de viver interferem na escolha de uma casa ou apartamento.
“Viver sozinho não determina um único perfil de comprador. Idade, momento de vida, rotina e prioridades influenciam o que cada pessoa busca em um imóvel e a forma como utiliza os espaços”, afirma Rafael Batista, diretor de incorporação da Perplan, empresa sediada em Ribeirão Preto.
Morar sozinho não significa querer imóvel pequeno
O crescimento dos domicílios unipessoais não significa necessariamente maior procura apenas por apartamentos compactos.
Home office, presença de animais de estimação, hábito de receber familiares e amigos, localização, segurança e planos de longo prazo são fatores que podem interferir no tamanho e nas características do imóvel escolhido.
Artur Cury Féres mora sozinho há sete anos e conta que suas prioridades mudaram ao longo desse período.
“Quando eu era estudante, estar perto da universidade era importante. Depois, passei a valorizar mais a localização em um bom bairro e a segurança. E, com o tempo, a casa também passou a ser, de fato, o meu espaço”, relata.
Para o mercado imobiliário, isso significa que apenas o número de moradores pode não ser suficiente para determinar qual tipo de empreendimento atende determinado consumidor.
“Uma pessoa que mora sozinha pode querer mais espaço, receber com frequência, trabalhar em casa ou pensar naquele imóvel como uma escolha de longo prazo. O número de moradores é uma informação importante, mas não conta sozinho a história daquele comprador”, explica Gustavo Pereira, gestor executivo comercial da Perplan Incorporação.
A mudança demográfica amplia, portanto, a necessidade de considerar diferentes estilos de vida na concepção e comercialização dos imóveis, especialmente diante de um cenário em que aproximadamente 20% das residências brasileiras já são ocupadas por apenas uma pessoa.
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