
A procura por atendimento especializado em saúde mental em Ribeirão Preto chama a atenção pelos números. Em apenas quatro meses de funcionamento, o Pronto Atendimento em Saúde Mental (PAM) realizou 24.266 acolhimentos e recebeu 6.310 pacientes distintos. Os dados, contabilizados entre a inauguração da unidade, em 8 de junho, e o dia 7 de outubro, revelam a dimensão da demanda por assistência psicológica e psiquiátrica de urgência no município.
Localizado no bairro Quintino Facci II, na zona norte, o PAM funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. Segundo a Prefeitura, trata-se do primeiro serviço do tipo no país a oferecer atendimento especializado em saúde mental de porta aberta, sem necessidade de agendamento ou encaminhamento prévio.
A unidade foi criada para atender pessoas em situações de crise, oferecendo avaliação e assistência por uma equipe multiprofissional. Desde sua abertura, o serviço registra uma média informada de 277 acolhimentos diários, número que evidencia a intensidade da utilização da estrutura.
Entre os 6.310 pacientes distintos atendidos durante os quatro primeiros meses, 3.991 eram mulheres e 2.318 eram homens, conforme os dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde. A soma dos registros por sexo apresenta diferença de um paciente em relação ao total informado, sem detalhamento no levantamento.
A faixa etária de 20 a 49 anos concentrou a maior parte da demanda, com 4.011 pacientes. Outros 1.501 tinham 50 anos ou mais, demonstrando que as situações de urgência em saúde mental atingem diferentes gerações.
Crianças, adolescentes e jovens também aparecem nas estatísticas. Foram contabilizados 798 pacientes com até 19 anos, sendo 690 na faixa de 10 a 19 anos e 108 crianças de até 9 anos.
Os números representam pessoas distintas atendidas no período, enquanto o total de acolhimentos inclui os registros de atendimento realizados ao longo dos quatro meses. Por isso, os dois indicadores não devem ser confundidos.
De acordo com o médico psiquiatra Renan Maekawa, coordenador do PAM, os quadros de ansiedade e depressão estão entre os principais motivos de procura pelo serviço entre os adultos.
No atendimento infantil e adolescente, são frequentes as crises relacionadas ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ao Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Situações envolvendo ansiedade e depressão também são atendidas nessa faixa etária, embora representem uma parcela menor da demanda descrita pela unidade.
Essas condições não significam, por si só, uma emergência psiquiátrica. O atendimento de urgência é indicado quando há uma crise ou situação que exige avaliação imediata.
“Mais do que os números, o principal ganho para a população foi o acesso mais rápido do paciente em crise à equipe de saúde mental. O PAM permite que a pessoa seja acolhida e avaliada em um serviço preparado especificamente para esse tipo de atendimento”, afirma Maekawa.
O PAM conta com profissionais de diferentes áreas da saúde, permitindo que cada paciente seja avaliado conforme suas necessidades.
Após o acolhimento inicial, a pessoa passa por avaliação e pode receber assistência de enfermagem, psiquiatria, psicologia, serviço social, terapia ocupacional ou psiquiatria infantil.
Nos quatro primeiros meses, foram registrados 11.787 atendimentos de enfermagem e 8.815 de psiquiatria. A psicologia realizou 2.949 atendimentos, enquanto o serviço social contabilizou 1.930. Também foram registrados 790 atendimentos de terapia ocupacional e 190 de psiquiatria infantil.
Esses números correspondem aos atendimentos realizados por cada especialidade e não representam necessariamente pacientes diferentes, já que uma mesma pessoa pode precisar de acompanhamento por mais de um profissional.
A estrutura do PAM conta com 19 leitos, sendo 14 destinados à observação, quatro à urgência e um ao isolamento. Crianças e adolescentes possuem fluxo de atendimento separado dos adultos, permitindo uma assistência organizada conforme as particularidades de cada faixa etária.
No mesmo complexo também funciona o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS III AD), que integra a rede de cuidados voltada a pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras substâncias.
A criação do PAM também busca melhorar o funcionamento da rede municipal de urgência e emergência, direcionando crises de saúde mental para uma unidade preparada especificamente para esse tipo de atendimento.
Segundo o secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, a iniciativa representa uma mudança importante na forma como esses pacientes são recebidos.
“Durante muito tempo, o paciente em crise de saúde mental chegava à UPA e permanecia em um ambiente que não era pensado especificamente para esse tipo de atendimento. Saúde mental é saúde e merece a mesma prioridade. Com o PAM, Ribeirão Preto passou a contar com um serviço especializado, com atendimento 24 horas e acesso direto para quem precisa”, afirma.
O PAM é destinado a situações que exigem atendimento imediato, como crises intensas de ansiedade, surtos psicóticos, agitação psicomotora, risco de suicídio e crises relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
A população pode procurar diretamente a unidade, sem necessidade de passar antes por uma Unidade Básica de Saúde ou apresentar encaminhamento médico.
Já os casos que não envolvem situações de urgência continuam sendo acompanhados pela Atenção Primária à Saúde e pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem atendimento e acompanhamento conforme as necessidades de cada paciente.
Em situações de risco imediato à vida, a orientação é buscar atendimento emergencial sem demora.
O Pronto Atendimento em Saúde Mental está localizado na Rua Bruno Pelicani, nº 70, no bairro Quintino Facci II, zona norte de Ribeirão Preto.
O atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, incluindo sábados, domingos e feriados.
Não é necessário agendamento ou encaminhamento. O acesso é por demanda espontânea, permitindo que pessoas em crise ou seus familiares procurem diretamente a unidade.
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