
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, trouxe uma preocupação importante para médicos e especialistas em nutrição: a perda de massa muscular durante o emagrecimento. Embora esses tratamentos possam proporcionar benefícios significativos à saúde quando corretamente indicados, a redução de peso nem sempre ocorre exclusivamente pela eliminação de gordura, tornando necessário acompanhar também a composição corporal e a capacidade física dos pacientes.
Uma das condições que merece atenção é a sarcopenia, caracterizada principalmente pela redução da força muscular, associada a alterações na quantidade ou qualidade dos músculos. Apesar de ser mais frequente entre pessoas idosas, o comprometimento muscular também pode ocorrer em outras situações, especialmente quando há perda acelerada de peso, alimentação inadequada e ausência de exercícios físicos. Especialistas ressaltam, entretanto, que perder massa magra não significa necessariamente desenvolver sarcopenia.
Segundo o médico Tácito Sgorlon, avaliar o sucesso de um tratamento apenas pelos números apresentados na balança pode esconder alterações importantes na saúde do paciente. Durante o emagrecimento, parte do peso perdido pode corresponder à massa magra, especialmente quando o processo não é acompanhado de estratégias adequadas de alimentação e atividade física.
“A massa muscular é um importante marcador de saúde e está relacionada ao prognóstico de vida. Durante o emagrecimento, a redução não ocorre exclusivamente na gordura e, dependendo da velocidade desse processo, da alimentação e da atividade física, também pode comprometer a massa magra. Por isso, não basta perguntar quantos quilos o paciente perdeu, mas o que ele perdeu”, afirma.
A preservação dos músculos é fundamental para atividades cotidianas, como caminhar, subir escadas, carregar objetos e manter o equilíbrio. Além disso, a musculatura desempenha funções importantes no metabolismo e na manutenção da autonomia, especialmente com o avanço da idade.
Um consenso internacional de especialistas publicado na revista científica Obesity Pillars recomenda, como referência geral, o consumo de 1,2 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia durante o emagrecimento com medicamentos baseados em GLP-1, associado à prática de atividade física. A quantidade ideal, entretanto, deve ser individualizada, considerando fatores como idade, condições de saúde, função renal e necessidades nutricionais.
A recomendação busca reduzir o risco de perda muscular durante o tratamento. Como esses medicamentos podem diminuir significativamente o apetite, alguns pacientes passam a consumir menos alimentos e podem apresentar dificuldade para atingir as necessidades diárias de proteínas e outros nutrientes.
Além da alimentação adequada, os exercícios de fortalecimento muscular são considerados importantes para preservar força e funcionalidade. A combinação entre acompanhamento médico, orientação nutricional e atividade física permite que o emagrecimento seja conduzido de maneira mais completa, sem concentrar toda a atenção na redução do peso corporal.
Quando a alimentação não consegue atender às necessidades nutricionais do paciente, a suplementação pode ser considerada como parte do acompanhamento profissional. No entanto, especialistas alertam que o uso desses produtos não deve ser automático nem substituir uma dieta equilibrada.
O farmacêutico Gustavo Cadurim, CEO e fundador da Yosen, empresa de base científica com origem em pesquisas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), explica que a escolha dos nutrientes precisa considerar as particularidades de cada pessoa.
“Suplementação não deve ser tratada como uma recomendação automática para quem está emagrecendo. A indicação, dose e escolha dos nutrientes precisam considerar a alimentação, a rotina, as condições de saúde e os objetivos de cada pessoa. Quando a dieta não consegue suprir todas as demandas nutricionais, ela pode ser uma ferramenta complementar”, afirma Cadurim.
O especialista também destaca a importância das características das formulações utilizadas na suplementação. A Yosen desenvolve tecnologias de entrega de nutrientes, como a Ydrosolv®, voltadas à dispersão e à disponibilização de determinados compostos. Essas tecnologias fazem parte das estratégias de desenvolvimento de produtos, mas sua utilização não substitui a avaliação clínica nem comprova, por si só, benefícios na prevenção da perda muscular.
A sarcopenia pode comprometer a força e a capacidade de realizar atividades comuns do dia a dia. Dificuldade para levantar de uma cadeira sem apoio, subir escadas, carregar compras ou executar tarefas que antes eram realizadas normalmente são sinais que merecem investigação médica.
A avaliação pode incluir testes de força, análise do desempenho físico e exames de composição corporal, dependendo das características e necessidades de cada paciente. É importante destacar que a perda muscular não ocorre exclusivamente com o uso das canetas emagrecedoras, podendo estar associada também a dietas muito restritivas, sedentarismo, doenças e outras situações que provocam redução significativa do peso.
“O objetivo do tratamento não deve ser simplesmente perder peso. É preciso reduzir gordura preservando o máximo possível de massa muscular, força e funcionalidade. As medicações são ferramentas importantes no tratamento da obesidade, mas precisam estar inseridas em um programa completo que inclua alimentação adequada, proteína suficiente, exercício de força e acompanhamento da composição corporal”, explica Sgorlon.
O crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento reforça a necessidade de acompanhamento individualizado. Embora as canetas emagrecedoras representem um avanço no tratamento da obesidade e de determinadas condições metabólicas, sua utilização deve ocorrer mediante avaliação e prescrição médica, com monitoramento dos resultados e possíveis efeitos adversos.
A orientação dos especialistas é que o sucesso do emagrecimento seja medido não apenas pela quantidade de quilos eliminados, mas também pela preservação da saúde, da força muscular e da qualidade de vida.
O objetivo é garantir que a redução de gordura corporal aconteça sem comprometer desnecessariamente a musculatura, permitindo que os benefícios do tratamento sejam acompanhados de melhores condições físicas e funcionais.
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