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ATENDIMENTOS NAS UPAS DE RIBEIRÃO PRETO CRESCEM 15,9% E ULTRAPASSAM 733 MIL EM 2026

Rede municipal registrou mais de 100 mil acolhimentos adicionais em comparação com o mesmo período de 2025. Ampliação de especialidades como traumatologia, ginecologia e odontologia de urgência busca reduzir encaminhamentos desnecessários aos hospitais.

15/10/2026 às 18h51
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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Foto: Guilherme Sircili
Foto: Guilherme Sircili

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Ribeirão Preto registraram um crescimento de 15,9% no volume de acolhimentos em 2026, ultrapassando a marca de 733 mil registros nos primeiros nove meses do ano. Os dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde apontam que, entre 1º de janeiro e 2 de outubro, foram contabilizados 733.543 acolhimentos, contra 633.074 no mesmo período de 2025. A diferença representa 100.469 registros adicionais, em um cenário marcado pela reorganização dos serviços e pela ampliação das especialidades disponíveis nas unidades.

O crescimento ocorre após mudanças iniciadas em 2025, quando a administração municipal passou a reformular o funcionamento das UPAs para enfrentar o desequilíbrio entre a demanda de pacientes e a capacidade de atendimento. Entre as medidas adotadas estão o fortalecimento da classificação de risco, a incorporação de profissionais de diferentes especialidades e a ampliação da capacidade de resolver determinados problemas de saúde diretamente nas unidades, evitando encaminhamentos hospitalares quando não são necessários.

Apesar do aumento expressivo no número de acolhimentos, a quantidade de registros não corresponde ao total de pessoas diferentes atendidas. Segundo a Secretaria da Saúde, 257.396 pacientes distintos passaram pelas UPAs entre janeiro e 2 de outubro deste ano, considerando que uma mesma pessoa pode procurar o serviço mais de uma vez ou necessitar de diferentes tipos de assistência.

REORGANIZAÇÃO BUSCA DIMINUIR ENCAMINHAMENTOS AOS HOSPITAIS

Até o início de 2025, a rede municipal enfrentava dificuldades relacionadas à elevada procura por atendimento e à necessidade de encaminhar pacientes para outros serviços de saúde, inclusive em situações que poderiam ser solucionadas no próprio pronto atendimento com suporte especializado.

A partir desse diagnóstico, a Secretaria Municipal da Saúde passou a priorizar os casos conforme a gravidade e a ampliar as possibilidades de assistência dentro das UPAs. A proposta é oferecer atendimento mais completo, reduzir deslocamentos desnecessários e melhorar o fluxo entre as unidades de urgência e os hospitais de referência.

Atualmente, os registros de acolhimento envolvem diferentes áreas, incluindo clínica geral, pediatria, enfermagem, traumatologia, ginecologia, odontologia, cirurgia geral e assistência social. Essa estrutura permite que pacientes com necessidades específicas recebam avaliação de profissionais especializados, conforme a disponibilidade e a organização de cada unidade.

A ampliação dos serviços, entretanto, não elimina a necessidade de encaminhamento hospitalar. Pacientes que apresentam quadros de maior complexidade, necessitam de internação ou precisam de recursos não disponíveis nas UPAs continuam sendo direcionados aos hospitais de referência.

Embora a Prefeitura associe a reorganização à melhoria da capacidade de atendimento, os números apresentados não permitem, isoladamente, medir a redução efetiva dos encaminhamentos ou do tempo de espera, já que não foram divulgados indicadores comparativos específicos desses resultados.

TRAUMATOLOGIA ULTRAPASSA 25 MIL ATENDIMENTOS

Entre as especialidades incorporadas à rede, a traumatologia apresenta um dos maiores volumes de atendimentos. Desde março de 2025, quando passou a integrar a estrutura das UPAs, o serviço contabilizou 25.546 atendimentos, envolvendo 21.591 pacientes distintos.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, a maior parte das ocorrências está relacionada a problemas nas extremidades do corpo e quedas. São situações que podem envolver lesões nos braços, pernas, mãos e pés, exigindo avaliação para identificar a gravidade e definir a necessidade de exames, imobilizações ou encaminhamento para atendimento hospitalar.

A presença de profissionais especializados nas unidades permite que parte dessas ocorrências seja avaliada diretamente no pronto atendimento, contribuindo para organizar a demanda e direcionar aos hospitais os casos que necessitam de recursos de maior complexidade.

ODONTOLOGIA DE URGÊNCIA TEM CRESCIMENTO EXPRESSIVO

A odontologia de urgência apresentou uma das mudanças mais significativas na estrutura de atendimento das UPAs. Até junho de 2026, o serviço estava concentrado na UPA Leste. Com a ampliação realizada pela Prefeitura, passou a estar disponível em quatro unidades da cidade, aumentando o acesso da população a atendimentos odontológicos emergenciais.

Entre 29 de junho e 1º de outubro deste ano, foram atendidos 6.611 pacientes, com um total de 7.964 atendimentos realizados. No período equivalente de 2025, haviam sido registrados 3.996 pacientes e 4.459 atendimentos.

Os dados representam um crescimento de aproximadamente 65,4% no número de pacientes distintos e de 78,6% no volume de atendimentos. O levantamento divulgado pela Prefeitura menciona alta de 67% no número de pessoas atendidas, percentual ligeiramente diferente daquele obtido a partir dos números absolutos informados.

A expansão foi acompanhada pelo reforço das equipes, que passaram a contar com 20 cirurgiões-dentistas e 16 auxiliares. A medida ampliou a estrutura disponível para atender pacientes com necessidades odontológicas urgentes, reduzindo a concentração da demanda em uma única unidade.

A ampliação também representa uma mudança importante na organização da rede, permitindo que moradores tenham mais opções de atendimento conforme a distribuição dos serviços e os critérios de funcionamento de cada UPA.

GINECOLOGIA E CIRURGIA GERAL AMPLIAM ASSISTÊNCIA

A ginecologia também passou a integrar a reorganização dos atendimentos especializados. Entre maio de 2025 e 2 de outubro de 2026, foram registrados 13.474 atendimentos, envolvendo 8.523 pacientes distintos.

Entre as principais queixas apresentadas pelas pacientes estão sangramento vaginal e episódios de mal-estar. A presença da especialidade nas UPAs permite uma avaliação direcionada dessas situações, identificando os casos que podem receber assistência na própria unidade e aqueles que precisam de acompanhamento ou encaminhamento para outros serviços da rede.

Outra área incorporada ao modelo foi a cirurgia geral, que atua em regime rotativo desde setembro de 2025. Entre janeiro e setembro deste ano, a especialidade realizou 838 atendimentos, dos quais 35,2% ocorreram na UPA Leste.

O regime rotativo permite a distribuição do atendimento especializado conforme a organização estabelecida pela Secretaria Municipal da Saúde. A atuação desses profissionais complementa os serviços já existentes, oferecendo suporte à avaliação de situações que exigem conhecimento cirúrgico, sem substituir a estrutura hospitalar necessária para procedimentos de maior complexidade.

ASSISTÊNCIA SOCIAL RETORNA ÀS UPAS E AMPLIA O CUIDADO

Além dos atendimentos médicos e odontológicos, a reorganização da rede municipal incluiu o retorno dos assistentes sociais às UPAs em 2025. Desde setembro daquele ano, esses profissionais contabilizaram 12.385 atendimentos, envolvendo 7.650 pacientes distintos.

A atuação da assistência social busca identificar situações de vulnerabilidade que podem interferir no acesso ao tratamento e na continuidade dos cuidados. Entre as atribuições estão a orientação de pacientes e familiares, a identificação de necessidades sociais e a articulação com serviços que integram a rede de proteção.

Esse acompanhamento é importante porque determinadas demandas de saúde estão relacionadas a fatores que ultrapassam o atendimento clínico, como dificuldades de acesso a serviços, ausência de suporte familiar e outras condições sociais que podem comprometer a recuperação dos pacientes.

Ao incorporar esse tipo de assistência, as UPAs ampliam sua atuação para além dos procedimentos médicos, buscando oferecer um atendimento que considere diferentes necessidades apresentadas pela população.

PRIMEIRO TOMÓGRAFO MUNICIPAL É APONTADO COMO AVANÇO

O secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, afirma que os resultados apresentados refletem a reorganização iniciada em 2025 e a ampliação da capacidade de atendimento das unidades.

Segundo ele, uma das prioridades é resolver mais casos dentro das próprias UPAs, preservando os encaminhamentos hospitalares para situações que realmente necessitam de internação ou de recursos especializados.

“Crescemos 15,9% nos acolhimentos em um ano, resolvendo mais casos ali, na UPA, sem encaminhamentos desnecessários. Os casos que precisam de internação continuam indo para os hospitais. Também entregamos o primeiro tomógrafo municipal de Ribeirão Preto, no Hospital Santa Lydia, o que reduz o tempo de espera de quem aguardava nas UPAs por esse exame e precisava ser levado a outro serviço. É esse o caminho que seguimos desde 2025”, afirma.

A disponibilização do tomógrafo municipal no Hospital Santa Lydia é apontada pela administração como uma medida para facilitar o acesso a exames de imagem e reduzir deslocamentos para outros serviços. O equipamento pode contribuir para a avaliação de pacientes que necessitam de investigação diagnóstica, conforme os protocolos e os fluxos definidos pela rede municipal.

CRESCIMENTO DOS ATENDIMENTOS REFORÇA DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA

O aumento de mais de 100 mil acolhimentos em comparação com 2025 evidencia o volume de demandas enfrentadas pelas unidades de urgência de Ribeirão Preto. Ao mesmo tempo, a expansão das especialidades representa uma tentativa de tornar a assistência mais resolutiva e de organizar melhor o encaminhamento dos pacientes entre os diferentes níveis de atendimento.

Os resultados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde demonstram crescimento na utilização dos serviços, mas também reforçam a importância do acompanhamento contínuo de indicadores como tempo de espera, qualidade da assistência, disponibilidade de profissionais e necessidade de transferência hospitalar.

Para a população, o principal objetivo da reorganização é garantir que os casos sejam avaliados conforme a gravidade e recebam o atendimento adequado, seja diretamente nas UPAs ou, quando necessário, nos hospitais de referência.

Com a ampliação dos serviços de traumatologia, ginecologia, odontologia, cirurgia geral e assistência social, a rede municipal busca fortalecer sua capacidade de resposta às necessidades da população, em um cenário de demanda crescente pelos serviços públicos de urgência e emergência.

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