
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Ribeirão Preto registraram um crescimento de 15,9% no volume de acolhimentos em 2026, ultrapassando a marca de 733 mil registros nos primeiros nove meses do ano. Os dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde apontam que, entre 1º de janeiro e 2 de outubro, foram contabilizados 733.543 acolhimentos, contra 633.074 no mesmo período de 2025. A diferença representa 100.469 registros adicionais, em um cenário marcado pela reorganização dos serviços e pela ampliação das especialidades disponíveis nas unidades.
O crescimento ocorre após mudanças iniciadas em 2025, quando a administração municipal passou a reformular o funcionamento das UPAs para enfrentar o desequilíbrio entre a demanda de pacientes e a capacidade de atendimento. Entre as medidas adotadas estão o fortalecimento da classificação de risco, a incorporação de profissionais de diferentes especialidades e a ampliação da capacidade de resolver determinados problemas de saúde diretamente nas unidades, evitando encaminhamentos hospitalares quando não são necessários.
Apesar do aumento expressivo no número de acolhimentos, a quantidade de registros não corresponde ao total de pessoas diferentes atendidas. Segundo a Secretaria da Saúde, 257.396 pacientes distintos passaram pelas UPAs entre janeiro e 2 de outubro deste ano, considerando que uma mesma pessoa pode procurar o serviço mais de uma vez ou necessitar de diferentes tipos de assistência.
Até o início de 2025, a rede municipal enfrentava dificuldades relacionadas à elevada procura por atendimento e à necessidade de encaminhar pacientes para outros serviços de saúde, inclusive em situações que poderiam ser solucionadas no próprio pronto atendimento com suporte especializado.
A partir desse diagnóstico, a Secretaria Municipal da Saúde passou a priorizar os casos conforme a gravidade e a ampliar as possibilidades de assistência dentro das UPAs. A proposta é oferecer atendimento mais completo, reduzir deslocamentos desnecessários e melhorar o fluxo entre as unidades de urgência e os hospitais de referência.
Atualmente, os registros de acolhimento envolvem diferentes áreas, incluindo clínica geral, pediatria, enfermagem, traumatologia, ginecologia, odontologia, cirurgia geral e assistência social. Essa estrutura permite que pacientes com necessidades específicas recebam avaliação de profissionais especializados, conforme a disponibilidade e a organização de cada unidade.
A ampliação dos serviços, entretanto, não elimina a necessidade de encaminhamento hospitalar. Pacientes que apresentam quadros de maior complexidade, necessitam de internação ou precisam de recursos não disponíveis nas UPAs continuam sendo direcionados aos hospitais de referência.
Embora a Prefeitura associe a reorganização à melhoria da capacidade de atendimento, os números apresentados não permitem, isoladamente, medir a redução efetiva dos encaminhamentos ou do tempo de espera, já que não foram divulgados indicadores comparativos específicos desses resultados.
Entre as especialidades incorporadas à rede, a traumatologia apresenta um dos maiores volumes de atendimentos. Desde março de 2025, quando passou a integrar a estrutura das UPAs, o serviço contabilizou 25.546 atendimentos, envolvendo 21.591 pacientes distintos.
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, a maior parte das ocorrências está relacionada a problemas nas extremidades do corpo e quedas. São situações que podem envolver lesões nos braços, pernas, mãos e pés, exigindo avaliação para identificar a gravidade e definir a necessidade de exames, imobilizações ou encaminhamento para atendimento hospitalar.
A presença de profissionais especializados nas unidades permite que parte dessas ocorrências seja avaliada diretamente no pronto atendimento, contribuindo para organizar a demanda e direcionar aos hospitais os casos que necessitam de recursos de maior complexidade.
A odontologia de urgência apresentou uma das mudanças mais significativas na estrutura de atendimento das UPAs. Até junho de 2026, o serviço estava concentrado na UPA Leste. Com a ampliação realizada pela Prefeitura, passou a estar disponível em quatro unidades da cidade, aumentando o acesso da população a atendimentos odontológicos emergenciais.
Entre 29 de junho e 1º de outubro deste ano, foram atendidos 6.611 pacientes, com um total de 7.964 atendimentos realizados. No período equivalente de 2025, haviam sido registrados 3.996 pacientes e 4.459 atendimentos.
Os dados representam um crescimento de aproximadamente 65,4% no número de pacientes distintos e de 78,6% no volume de atendimentos. O levantamento divulgado pela Prefeitura menciona alta de 67% no número de pessoas atendidas, percentual ligeiramente diferente daquele obtido a partir dos números absolutos informados.
A expansão foi acompanhada pelo reforço das equipes, que passaram a contar com 20 cirurgiões-dentistas e 16 auxiliares. A medida ampliou a estrutura disponível para atender pacientes com necessidades odontológicas urgentes, reduzindo a concentração da demanda em uma única unidade.
A ampliação também representa uma mudança importante na organização da rede, permitindo que moradores tenham mais opções de atendimento conforme a distribuição dos serviços e os critérios de funcionamento de cada UPA.
A ginecologia também passou a integrar a reorganização dos atendimentos especializados. Entre maio de 2025 e 2 de outubro de 2026, foram registrados 13.474 atendimentos, envolvendo 8.523 pacientes distintos.
Entre as principais queixas apresentadas pelas pacientes estão sangramento vaginal e episódios de mal-estar. A presença da especialidade nas UPAs permite uma avaliação direcionada dessas situações, identificando os casos que podem receber assistência na própria unidade e aqueles que precisam de acompanhamento ou encaminhamento para outros serviços da rede.
Outra área incorporada ao modelo foi a cirurgia geral, que atua em regime rotativo desde setembro de 2025. Entre janeiro e setembro deste ano, a especialidade realizou 838 atendimentos, dos quais 35,2% ocorreram na UPA Leste.
O regime rotativo permite a distribuição do atendimento especializado conforme a organização estabelecida pela Secretaria Municipal da Saúde. A atuação desses profissionais complementa os serviços já existentes, oferecendo suporte à avaliação de situações que exigem conhecimento cirúrgico, sem substituir a estrutura hospitalar necessária para procedimentos de maior complexidade.
Além dos atendimentos médicos e odontológicos, a reorganização da rede municipal incluiu o retorno dos assistentes sociais às UPAs em 2025. Desde setembro daquele ano, esses profissionais contabilizaram 12.385 atendimentos, envolvendo 7.650 pacientes distintos.
A atuação da assistência social busca identificar situações de vulnerabilidade que podem interferir no acesso ao tratamento e na continuidade dos cuidados. Entre as atribuições estão a orientação de pacientes e familiares, a identificação de necessidades sociais e a articulação com serviços que integram a rede de proteção.
Esse acompanhamento é importante porque determinadas demandas de saúde estão relacionadas a fatores que ultrapassam o atendimento clínico, como dificuldades de acesso a serviços, ausência de suporte familiar e outras condições sociais que podem comprometer a recuperação dos pacientes.
Ao incorporar esse tipo de assistência, as UPAs ampliam sua atuação para além dos procedimentos médicos, buscando oferecer um atendimento que considere diferentes necessidades apresentadas pela população.
O secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, afirma que os resultados apresentados refletem a reorganização iniciada em 2025 e a ampliação da capacidade de atendimento das unidades.
Segundo ele, uma das prioridades é resolver mais casos dentro das próprias UPAs, preservando os encaminhamentos hospitalares para situações que realmente necessitam de internação ou de recursos especializados.
“Crescemos 15,9% nos acolhimentos em um ano, resolvendo mais casos ali, na UPA, sem encaminhamentos desnecessários. Os casos que precisam de internação continuam indo para os hospitais. Também entregamos o primeiro tomógrafo municipal de Ribeirão Preto, no Hospital Santa Lydia, o que reduz o tempo de espera de quem aguardava nas UPAs por esse exame e precisava ser levado a outro serviço. É esse o caminho que seguimos desde 2025”, afirma.
A disponibilização do tomógrafo municipal no Hospital Santa Lydia é apontada pela administração como uma medida para facilitar o acesso a exames de imagem e reduzir deslocamentos para outros serviços. O equipamento pode contribuir para a avaliação de pacientes que necessitam de investigação diagnóstica, conforme os protocolos e os fluxos definidos pela rede municipal.
O aumento de mais de 100 mil acolhimentos em comparação com 2025 evidencia o volume de demandas enfrentadas pelas unidades de urgência de Ribeirão Preto. Ao mesmo tempo, a expansão das especialidades representa uma tentativa de tornar a assistência mais resolutiva e de organizar melhor o encaminhamento dos pacientes entre os diferentes níveis de atendimento.
Os resultados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde demonstram crescimento na utilização dos serviços, mas também reforçam a importância do acompanhamento contínuo de indicadores como tempo de espera, qualidade da assistência, disponibilidade de profissionais e necessidade de transferência hospitalar.
Para a população, o principal objetivo da reorganização é garantir que os casos sejam avaliados conforme a gravidade e recebam o atendimento adequado, seja diretamente nas UPAs ou, quando necessário, nos hospitais de referência.
Com a ampliação dos serviços de traumatologia, ginecologia, odontologia, cirurgia geral e assistência social, a rede municipal busca fortalecer sua capacidade de resposta às necessidades da população, em um cenário de demanda crescente pelos serviços públicos de urgência e emergência.
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