
A região central de Ribeirão Preto poderá passar por um processo de transformação urbana nos próximos anos. O prefeito Ricardo Silva instituiu, por meio do Decreto nº 233/2026, publicado no Diário Oficial desta terça-feira (20), uma Comissão Gestora responsável por coordenar a elaboração de um projeto de revitalização do Centro e de recuperação de edificações antigas. A iniciativa pretende reunir diferentes setores da sociedade para discutir soluções capazes de valorizar o patrimônio arquitetônico, melhorar os espaços públicos e estimular novas oportunidades de utilização dos imóveis existentes.
A comissão será coordenada pela Secretaria Municipal da Casa Civil e contará com representantes de secretarias municipais, órgãos públicos, entidades empresariais e organizações da sociedade civil. O grupo terá a responsabilidade de organizar estudos técnicos, estabelecer prioridades e desenvolver propostas que possam orientar futuras intervenções na região central. A publicação do decreto representa o início da etapa de planejamento, sem significar que as obras já tenham sido definidas ou iniciadas.
Um dos principais pontos previstos no decreto é o incentivo ao chamado retrofit, procedimento de modernização de edificações antigas que busca preservar suas características arquitetônicas enquanto adapta as estruturas às necessidades atuais e às exigências da legislação.
A proposta permite discutir alternativas para recuperar imóveis que apresentam desgaste ou necessitam de atualização, sem necessariamente substituir as construções existentes. Entre os possíveis benefícios desse tipo de intervenção estão a valorização do patrimônio histórico, a melhoria das condições de utilização dos prédios e o aproveitamento da infraestrutura urbana já instalada.
O decreto também relaciona o retrofit à sustentabilidade urbano-ambiental, considerando a possibilidade de reabilitar estruturas existentes e promover sua adaptação a novos usos. As medidas concretas, os imóveis eventualmente contemplados e os investimentos necessários ainda dependerão dos estudos e projetos que serão desenvolvidos.
A composição da Comissão Gestora envolve diferentes áreas da administração municipal, incluindo as secretarias de Governo, Justiça, Fazenda, Infraestrutura e Zeladoria, Obras Públicas, Cultura e Turismo, Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Habitação, Meio Ambiente, Agricultura e Sustentabilidade e Assistência Social. Também participarão a Guarda Civil Metropolitana e a RP Mobi.
Entre as entidades e instituições convidadas estão a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), o Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (SINCOVARP), a Polícia Militar, a Conecta Ribeirão, a CPFL, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), o Sindicato de Turismo e Hospitalidade de Ribeirão Preto e Região (SINDTUR), a Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP) e a Associação das Incorporadoras, Loteadoras e Construtoras de Ribeirão Preto (ASSILCON-RP).
O decreto também prevê a participação de representantes dos proprietários de imóveis da região central, ampliando a presença de setores diretamente envolvidos nas discussões sobre ocupação, conservação e recuperação das edificações.
Além de coordenar a elaboração do projeto, a comissão terá a atribuição de organizar diagnósticos, levantamentos de dados e estudos técnicos sobre a situação atual da região central. O trabalho deverá incluir a definição e o acompanhamento de um cronograma, além da análise de propostas apresentadas pelos diferentes segmentos envolvidos.
O grupo poderá promover reuniões de alinhamento, consultas públicas, debates e audiências para ouvir moradores, comerciantes, proprietários e outros interessados no futuro do Centro. A participação popular poderá contribuir para identificar problemas, discutir prioridades e construir propostas que atendam às necessidades de quem vive, trabalha ou circula diariamente pela região.
O decreto também autoriza a criação de subcomissões técnicas e grupos de trabalho temáticos, permitindo que assuntos específicos sejam analisados por profissionais e representantes com conhecimento nas respectivas áreas.
A Comissão Gestora permanecerá em atividade até a conclusão do processo de elaboração e aprovação do projeto de revitalização do Centro e retrofit das edificações. Os integrantes não receberão remuneração pela participação, considerada de relevante interesse público.
Nesta etapa, o decreto estabelece a estrutura de coordenação e planejamento. Ainda não foram divulgados um orçamento global, um calendário de obras ou uma relação definitiva de imóveis e espaços públicos que receberão intervenções.
A criação da comissão representa um passo administrativo para organizar o debate sobre o futuro da região central de Ribeirão Preto. A efetiva revitalização dependerá da conclusão dos estudos, da definição das intervenções e das condições necessárias para sua execução.
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