
Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open acendeu um alerta para a saúde da população idosa. A pesquisa identificou que idosos diagnosticados com anemia apresentam um risco 66% maior de desenvolver demência quando comparados àqueles com níveis adequados de hemoglobina.
O levantamento acompanhou 2.282 idosos sem diagnóstico prévio de demência durante aproximadamente nove anos, utilizando dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen, na Suécia. Ao longo do período, 15,9% dos participantes desenvolveram algum tipo de demência. Mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, a associação entre anemia e comprometimento cognitivo permaneceu significativa.
Segundo especialistas, a anemia reduz a quantidade de hemoglobina no sangue, substância responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos do corpo, incluindo o cérebro. A diminuição contínua dessa oferta pode comprometer funções cognitivas importantes, como memória, atenção, raciocínio e velocidade de processamento mental.
Os pesquisadores também identificaram que idosos anêmicos apresentavam níveis mais elevados de biomarcadores associados à degeneração cerebral, incluindo alterações relacionadas à doença de Alzheimer e danos neuronais.
Entre os principais sinais de alerta estão fadiga constante, fraqueza, esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração, sonolência excessiva, tonturas, sensação de desequilíbrio, alterações de humor e, em casos mais graves, episódios de confusão mental.
A preocupação também se aplica à realidade brasileira. Um levantamento publicado no Brazilian Journal of Health Review mostrou que o país registrou 136.110 internações por anemia ferropriva entre 2014 e 2024. Quase metade dos casos ocorreu em pessoas com 60 anos ou mais.
Em Ribeirão Preto, onde o envelhecimento da população acompanha uma tendência observada em diversas cidades paulistas, especialistas reforçam a importância dos exames preventivos e do acompanhamento médico regular para identificação precoce da anemia e de possíveis impactos sobre a saúde cerebral.
A prevenção passa por hábitos simples, mas fundamentais, como alimentação equilibrada rica em ferro e vitamina B12, prática regular de atividades físicas e acompanhamento médico periódico. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reduzir complicações e contribuir para uma melhor qualidade de vida na terceira idade.
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