
Ribeirão Preto pode dar um passo inédito na humanização da saúde pública. O vereador Danilo Scochi protocolou um Projeto de Lei que institui a vacinação domiciliar para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A proposta busca atender pacientes com hipersensibilidade sensorial, ansiedade severa ou dificuldades de locomoção, garantindo que recebam as vacinas do Calendário Nacional sem enfrentar ambientes que, para muitos, são verdadeiros campos de batalha emocional.
O objetivo é simples e poderoso: fazer com que o direito à imunização chegue a quem hoje não consegue alcançá-lo. Em vez de exigir que a pessoa com TEA se adapte a estruturas muitas vezes hostis, o projeto inverte a lógica e faz o sistema ir até ela.
Para ter acesso ao benefício, caso a proposta seja aprovada, o interessado ou responsável legal deverá solicitar o serviço junto à Secretaria Municipal de Saúde, apresentando laudo médico ou relatório multiprofissional. A imunização será realizada por equipes capacitadas para lidar com as especificidades comportamentais do autismo, com garantia de acompanhamento familiar durante todo o procedimento.
Segundo Scochi, a medida se fundamenta nos princípios de equidade do SUS e na legislação de proteção à pessoa com deficiência. “É uma medida de inclusão, dignidade e cuidado com quem mais precisa. A vacinação domiciliar garante equidade, amplia a cobertura vacinal e protege vidas”, afirma o parlamentar.
A proposta também enfrenta um problema silencioso: a exclusão sanitária de pessoas que, por barreiras físicas e sensoriais, acabam fora das campanhas tradicionais. Ambientes barulhentos, filas, cheiros, luzes e contato físico inesperado transformam o ato de vacinar em um evento traumático para muitos autistas.
Ao remover essas barreiras, o projeto não cria privilégio. Ele corrige uma desigualdade estrutural. Em vez de tratar todos de forma igual, trata cada um como precisa ser tratado.
Se aprovada, a medida pode reposicionar Ribeirão Preto como referência nacional em políticas públicas inclusivas, mostrando que saúde pública de verdade não é apenas distribuir doses, mas garantir que elas cheguem a todos. Inclusive a quem o sistema historicamente deixou para trás.
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