
A busca por resultados rápidos na balança tem levado cada vez mais pessoas a recorrerem a dietas restritivas e medicamentos para emagrecimento. Em Ribeirão Preto, onde cresce a procura por tratamentos voltados à perda de peso e qualidade de vida, especialistas chamam a atenção para um fator muitas vezes ignorado: nem todo quilo perdido representa ganho de saúde.
Segundo o cardiologista Omar Britto, a perda excessiva de massa muscular durante o emagrecimento pode trazer consequências importantes para o organismo, afetando desde a força física até a saúde cardiovascular.
O alerta é reforçado por estudos sobre sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular. Uma revisão científica publicada na revista Circulation, da American Heart Association, aponta que a sarcopenia está associada ao aumento do risco cardiovascular, maior mortalidade, quedas e pior qualidade de vida.
Especialistas destacam que o número apresentado pela balança não conta toda a história.
Quando o emagrecimento acontece sem acompanhamento adequado, o organismo pode perder gordura, mas também uma quantidade significativa de massa muscular.
Segundo estudos citados pelo especialista, medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida, apresentam eficácia na redução do peso corporal. No entanto, quando associados à falta de atividade física e ingestão insuficiente de proteínas, também podem contribuir para a perda de massa magra.
Pesquisas publicadas na revista Circulation indicam que, em alguns casos, a perda de massa muscular pode representar até cerca de 40% do peso eliminado durante o tratamento.
Além de ser fundamental para a mobilidade e a força física, a musculatura exerce papel importante no metabolismo, na sensibilidade à insulina e no controle de diversos fatores relacionados à saúde.
A perda muscular excessiva pode reduzir o gasto energético do organismo, favorecer o efeito sanfona e dificultar a manutenção dos resultados alcançados.
O cuidado se torna ainda mais importante para pessoas que apresentam fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão arterial ou histórico familiar de doenças cardiovasculares.
Especialistas reforçam que o tratamento do excesso de peso deve ser individualizado e baseado em uma avaliação completa da saúde do paciente.
Entre as principais estratégias para preservar a massa muscular estão a ingestão adequada de proteínas, a prática regular de exercícios de força, o acompanhamento médico, o controle metabólico e a qualidade do sono.
A recomendação é que o sucesso do emagrecimento seja medido não apenas pela quantidade de peso perdida, mas também pela qualidade dessa perda.
Para os profissionais da área da saúde, a meta ideal é reduzir gordura corporal, preservar músculos e melhorar indicadores como pressão arterial, glicemia, colesterol e condicionamento físico, promovendo benefícios duradouros para a saúde e a qualidade de vida.
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