
O aumento dos afastamentos do trabalho por problemas de saúde tem chamado a atenção em todo o país e reforça a necessidade de ampliar o cuidado com a saúde feminina. Em Ribeirão Preto, cidade referência em medicina e atendimento especializado no interior paulista, especialistas destacam que doenças ginecológicas como a endometriose ainda enfrentam diagnóstico tardio e podem provocar impactos significativos na qualidade de vida e na permanência das mulheres no mercado de trabalho.
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil concedeu mais de 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária em 2025, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Mais da metade dos benefícios foi destinada a mulheres.
Entre as condições que contribuem para esse cenário estão a endometriose, os miomas uterinos e os sintomas relacionados à menopausa, que frequentemente provocam dores intensas, limitações funcionais e afastamentos prolongados. Apesar disso, especialistas apontam que essas doenças ainda recebem pouca atenção nas políticas de saúde ocupacional das empresas.
A situação também ganhou espaço no debate nacional. Em outubro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que prevê até dois dias de afastamento mensal para trabalhadoras diagnosticadas com endometriose, miomas ou sintomas graves da menopausa. A proposta ainda depende da conclusão da tramitação legislativa para entrar em vigor.
Um dos principais desafios continua sendo o diagnóstico precoce. Segundo especialistas da Alice, operadora de saúde corporativa, a endometriose leva, em média, sete anos para ser diagnosticada no Brasil, período em que muitas mulheres convivem com dores crônicas, dificuldades para trabalhar e impactos na fertilidade.
Para enfrentar esse cenário, a empresa desenvolveu uma jornada de acompanhamento voltada às pacientes com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. O programa inclui monitoramento periódico da dor, consultas com médicos de família e encaminhamento para ginecologistas quando necessário.
Os primeiros resultados divulgados pela operadora indicam que 80% das pacientes acompanhadas realizaram consultas com médicos de família ou ginecologistas nos últimos 12 meses. A taxa de cirurgias por endometriose permaneceu em 129 procedimentos para cada 100 mil beneficiários, índice inferior ao benchmark utilizado pela empresa.
Especialistas ressaltam que o reconhecimento rápido dos sintomas pode reduzir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida das pacientes.
Entre os principais sinais da endometriose estão cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, dor pélvica persistente, alterações intestinais ou urinárias durante o período menstrual e dificuldade para engravidar.
Em Ribeirão Preto, que concentra hospitais de alta complexidade, clínicas especializadas e centros universitários voltados à saúde da mulher, o acompanhamento multidisciplinar é apontado como um dos principais aliados para o diagnóstico precoce e para a redução dos impactos físicos, emocionais e profissionais provocados pela doença.
Especialistas reforçam que, diante de sintomas persistentes, a orientação é procurar avaliação médica para investigação e definição do tratamento mais adequado.
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