
Sentir tristeza diante de perdas, mudanças ou momentos difíceis faz parte da vida. No entanto, quando esse sentimento persiste por semanas, compromete a rotina e interfere na qualidade de vida, pode ser um sinal de depressão, doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e representa um dos principais desafios da saúde pública.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 280 milhões de pessoas vivem com depressão no planeta, tornando o transtorno uma das principais causas de incapacidade. No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que a procura por atendimentos relacionados à saúde mental aumentou nos últimos anos, especialmente após a pandemia da Covid-19, reforçando a necessidade de ampliar o acesso aos serviços especializados.
Em Ribeirão Preto, município que concentra uma das maiores redes de saúde do interior paulista e é referência regional em atendimento de alta complexidade, especialistas destacam que a identificação precoce dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
De acordo com o médico psiquiatra Pedro Borges, a principal diferença entre a tristeza e a depressão está na intensidade, na duração dos sintomas e no impacto sobre a vida da pessoa.
"A tristeza normalmente está relacionada a um acontecimento específico e tende a diminuir com o passar do tempo. Já a depressão permanece por semanas ou meses e interfere diretamente na rotina. Além da tristeza intensa, podem surgir perda do interesse pelas atividades, alterações no sono e no apetite, cansaço constante, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa, desesperança e prejuízo importante na vida social, familiar e profissional", explica o especialista.
Segundo o psiquiatra, ainda existe um grande preconceito em relação às doenças mentais, fazendo com que muitas pessoas demorem para buscar ajuda. "A depressão não é falta de força de vontade nem pode ser resolvida apenas com pensamento positivo. Trata-se de uma doença que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e precisa ser tratada com acompanhamento profissional", ressalta.
Os especialistas orientam que a população procure atendimento quando os sintomas persistirem por mais de duas semanas ou começarem a comprometer atividades do dia a dia, como trabalho, estudos, relações familiares e cuidados pessoais. Também são considerados sinais de alerta o isolamento social, crises frequentes de choro, alterações importantes no sono e na alimentação, irritabilidade constante, dificuldade para tomar decisões e pensamentos relacionados à morte.
O tratamento pode envolver psicoterapia, uso de medicamentos antidepressivos — quando indicados — e mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono e fortalecimento da rede de apoio familiar e social.
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