
Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, cresce também a preocupação com a qualidade do envelhecimento. Nesse cenário, o Projeto Silver surge como uma proposta de estimulação cognitiva para pessoas da terceira idade, utilizando princípios da neurociência aplicada para desenvolver atividades que trabalham memória, atenção, raciocínio, coordenação motora e interação social.
A metodologia foi desenvolvida pela professora Patricia Pavanati Gioppo, especialista em Neurociência da Educação, Psicoterapia, Neuropsicopedagogia e Arteterapia. O projeto busca fortalecer a autonomia da pessoa idosa por meio de oficinas adaptadas às diferentes condições físicas e cognitivas dos participantes.
Segundo Patricia, a ideia nasceu durante seus estudos sobre neurociência voltados inicialmente ao processo de aprendizagem infantil. Ao aprofundar os conhecimentos, ela identificou que os mesmos princípios relacionados à plasticidade neural também podem ser aplicados para preservar funções cognitivas durante o envelhecimento.
Se eu sabia criar pontes para o aprendizado infantil, por que não usar esse conhecimento para manter a mente ativa na terceira idade?", relata a idealizadora do projeto.
As atividades são estruturadas em três pilares principais. O primeiro é o cognitivo, com exercícios voltados às funções executivas, memória, linguagem e atenção. O segundo envolve o aspecto motor, com estímulos à coordenação fina, equilíbrio e atividades que combinam desafios físicos e cognitivos simultaneamente. Já o terceiro pilar trabalha o aspecto social e emocional, incentivando a convivência em grupo, o resgate de memórias afetivas e o fortalecimento da autoestima.
Durante as oficinas, são utilizados objetos físicos, dinâmicas e perguntas que estimulam a reminiscência e favorecem a participação ativa dos idosos. A proposta atende desde pessoas independentes que desejam prevenir perdas cognitivas até grupos com comprometimento cognitivo leve e moradores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), sempre com adaptações conforme o perfil dos participantes.
De acordo com o Ministério da Saúde, o envelhecimento saudável envolve a manutenção da capacidade funcional e da autonomia, sendo a estimulação física, cognitiva e social uma das estratégias importantes para promover qualidade de vida na população idosa. Estudos científicos também apontam que a prática regular de atividades cognitivamente estimulantes pode contribuir para fortalecer a chamada reserva cognitiva, reduzindo o impacto do envelhecimento sobre algumas funções mentais.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil passa por um acelerado processo de envelhecimento populacional, aumentando a demanda por políticas públicas e iniciativas voltadas à promoção da saúde e da autonomia da população idosa.
A experiência prática do Projeto Silver já passou por aulas experimentais em Casas de Convivência e Instituições de Longa Permanência, onde, segundo a idealizadora, foi possível observar a importância da estimulação precoce. A avaliação é de que existe uma "janela de oportunidade" para iniciar esse trabalho antes que o comprometimento cognitivo avance e exija intervenções de reabilitação mais complexas.
Como próximo passo, o projeto inicia, a partir de agosto, uma fase piloto em parceria com a Prefeitura, por meio do programa Engaja Hand 60+ – Corpo e Mente Ativos, desenvolvido em conjunto com o Handebol de Ribeirão Preto. A iniciativa pretende avaliar os resultados da metodologia em um grupo de idosos, reunindo atividades voltadas tanto ao fortalecimento físico quanto ao estímulo das funções cognitivas.
Especialistas destacam que, diante do crescimento da população idosa no país, programas preventivos como esse ganham relevância ao incentivar hábitos capazes de contribuir para um envelhecimento mais ativo, participativo e com maior qualidade de vida.
Mín. 20° Máx. 35°




