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FERIDA NA BOCA, ROUQUIDÃO E CAROÇO NO PESCOÇO PODEM ESCONDER UM CÂNCER; ESPECIALISTAS FAZEM ALERTA

Tumores de cabeça e pescoço devem registrar mais de 25 mil novos casos por ano no Brasil, enquanto a maioria dos diagnósticos ainda acontece em estágios avançados da doença.

20/07/2026 às 10h51
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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FERIDA NA BOCA, ROUQUIDÃO E CAROÇO NO PESCOÇO PODEM ESCONDER UM CÂNCER; ESPECIALISTAS FAZEM ALERTA

Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e caroços no pescoço são sintomas frequentemente associados a problemas simples. No entanto, quando essas alterações permanecem por semanas, podem indicar um quadro mais grave: o câncer de cabeça e pescoço.

O alerta ganha ainda mais importância diante de um cenário preocupante. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas aponta que quase 80% dos pacientes brasileiros recebem o diagnóstico apenas em estágios avançados da doença, reduzindo as possibilidades de tratamentos menos agressivos e aumentando o risco de sequelas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar, em média, mais de 25 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano durante o triênio 2026-2028. O grupo engloba tumores que atingem regiões como cavidade oral, laringe, faringe e cavidade nasal.

A realidade também preocupa profissionais da saúde no Triângulo Mineiro, onde hospitais e serviços especializados recebem pacientes encaminhados de diversas cidades da região para investigação e tratamento oncológico.

Sintomas persistentes exigem avaliação médica

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas;

  • Manchas brancas ou avermelhadas na boca;

  • Rouquidão persistente;

  • Dor ou dificuldade para engolir;

  • Caroços no pescoço;

  • Perda de peso sem explicação.

Segundo o oncologista Carlos Fruet, esses sintomas costumam ser ignorados ou confundidos com inflamações e problemas passageiros.

“Os primeiros sintomas costumam ser confundidos com problemas comuns ou simplesmente ignorados. Com isso, muitos pacientes procuram atendimento quando a doença já está mais avançada. Esse atraso pode aumentar a complexidade do tratamento e o impacto na fala, na mastigação e na deglutição”, explica.

Tabagismo, álcool e HPV estão entre os principais fatores de risco

De acordo com o INCA, os principais fatores associados ao desenvolvimento desses tumores incluem o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a infecção pelo HPV, especialmente relacionada aos tumores de orofaringe, e a exposição prolongada ao sol sem proteção nos lábios, fator de risco importante para o câncer labial.

Especialistas destacam que a adoção de hábitos saudáveis, a vacinação contra o HPV e a interrupção do tabagismo podem reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da doença.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento varia conforme o tipo, a localização e o estágio do tumor. As opções podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia ou a combinação dessas modalidades.

Segundo os especialistas, identificar a doença nas fases iniciais amplia significativamente as chances de controle e cura, além de preservar funções importantes como fala, mastigação e deglutição.

“Nem todo sintoma persistente será um câncer, mas alterações que permanecem por semanas precisam ser investigadas. Quando identificamos a doença precocemente, aumentamos as chances de controle e cura, além de preservar melhor a qualidade de vida do paciente. O maior desafio ainda é fazer com que as pessoas não normalizem esses sinais”, conclui Carlos Fruet.

A orientação é que qualquer alteração persistente na boca, garganta ou pescoço seja avaliada por um médico ou cirurgião-dentista, especialmente quando durar mais de duas semanas.

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