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DA VULNERABILIDADE À LUTA POR DIREITOS: A HISTÓRIA DE ALE CORREIA, QUE TRANSFORMOU A PRÓPRIA VIDA EM INSTRUMENTO DE ACOLHIMENTO E INCLUSÃO

Natural de Mauá (SP), Alex Sandro Correia Ganzarolli, conhecido como Ale Correia, superou uma infância marcada pela pobreza extrema, construiu uma carreira profissional, fundou a ONG Dfora do Armário e se tornou uma das vozes atuantes na defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIAPN+ no interior paulista.

25/07/2026 às 20h51 Atualizada em 25/07/2026 às 20h53
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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DA VULNERABILIDADE À LUTA POR DIREITOS: A HISTÓRIA DE ALE CORREIA, QUE TRANSFORMOU A PRÓPRIA VIDA EM INSTRUMENTO DE ACOLHIMENTO E INCLUSÃO

Poucas histórias conseguem traduzir de forma tão clara a força da resiliência quanto a de Alex Sandro Correia Ganzarolli, conhecido como Ale Correia. Aos 44 anos, sua trajetória reúne capítulos de extrema vulnerabilidade social, recomeços, trabalho, solidariedade e atuação em projetos voltados à promoção da cidadania e dos direitos humanos.

Natural de Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, Ale viveu uma infância marcada por profundas dificuldades financeiras. A experiência de morar em uma casa abandonada, sem água encanada e energia elétrica, e posteriormente recomeçar a vida ao lado da mãe em Ribeirão Preto, tornou-se o ponto de partida para uma caminhada construída sobre perseverança e compromisso social.

Hoje, além de atuar há mais de uma década no setor varejista, dedica grande parte da sua vida ao voluntariado por meio da ONG Dfora do Armário, associação que desenvolve projetos voltados à promoção da diversidade, cidadania, cultura e inclusão social em municípios do interior paulista.

Sua história demonstra como experiências pessoais podem influenciar a construção de projetos voltados ao bem coletivo.

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Uma infância marcada pela mudança de realidade

A história de Ale começou em Mauá, no Estado de São Paulo.

Nascido em uma família de classe média, ele viu a realidade familiar mudar completamente ainda durante a infância. Problemas financeiros fizeram com que a família perdesse praticamente tudo o que possuía.

A mudança foi brusca.

Em um dos períodos mais difíceis, a família passou mais de um ano vivendo em uma casa abandonada no bairro Parque São Rafael, enfrentando a ausência de condições básicas de sobrevivência, como abastecimento de água e energia elétrica.

Segundo Ale, essa fase marcou profundamente sua formação.

As dificuldades enfrentadas naquele período despertaram uma compreensão precoce sobre desigualdade social, vulnerabilidade e a importância da solidariedade.

Mais do que lembranças difíceis, essas experiências se transformaram em aprendizados que mais tarde influenciariam toda a sua atuação social.

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O recomeço em Ribeirão Preto

Em 1995, uma decisão mudou completamente o rumo da história.

Sua mãe resolveu deixar a capital paulista e buscar novas oportunidades em Ribeirão Preto.

A mudança aconteceu apenas entre mãe e filho.

Sem estrutura financeira e praticamente começando do zero, ambos passaram aproximadamente três meses acolhidos no CETREM (Centro de Triagem e Encaminhamento ao Migrante), instituição que presta atendimento temporário a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Foi nesse ambiente que Ale afirma ter compreendido, na prática, a importância das políticas públicas voltadas ao acolhimento social.

Enquanto reconstruíam suas vidas, enfrentaram dificuldades financeiras, mas encontraram apoio suficiente para recomeçar.

Essa experiência reforçou sua visão sobre o papel das instituições públicas e sociais no atendimento às pessoas que atravessam momentos de extrema necessidade.

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Quando as dificuldades se transformam em propósito

Para muitas pessoas, experiências de extrema vulnerabilidade deixam marcas difíceis de superar.

No caso de Ale, elas também serviram como motivação para construir um caminho voltado ao cuidado com o próximo.

Ele afirma que viver essas situações permitiu compreender o impacto que pequenos gestos de acolhimento podem ter na vida de alguém.

Foi dessa percepção que nasceu o desejo de dedicar parte da vida ao trabalho voluntário e às ações voltadas à promoção dos direitos humanos.

Ao longo dos anos, esse compromisso passou a orientar tanto sua atuação pessoal quanto seus projetos sociais.

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Construção da vida pessoal e profissional

Hoje, aos 44 anos, Ale afirma sentir orgulho da trajetória construída.

Casado com seu esposo, destaca que construiu sua família baseada em respeito, afeto e companheirismo.

Paralelamente ao trabalho voluntário, desenvolveu carreira profissional no setor varejista.

Há aproximadamente 12 anos atua em shopping center, conciliando a rotina profissional com atividades ligadas ao terceiro setor.

Segundo ele, o equilíbrio entre trabalho, família e atuação social tornou-se uma característica permanente de sua vida.

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O nascimento da ONG Dfora do Armário

A vivência pessoal e o contato frequente com relatos de preconceito levaram Ale a dar um novo passo.

Nascia a ONG Dfora do Armário.

Segundo ele, o projeto surgiu da necessidade de criar um espaço permanente de acolhimento, diálogo e promoção dos direitos da população LGBTQIAPN+ no interior paulista.

A proposta não era apenas denunciar situações de discriminação.

O objetivo era construir alternativas.

A associação passou a desenvolver atividades culturais, educativas e sociais voltadas à valorização da diversidade e ao fortalecimento da cidadania.

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Os primeiros desafios

Os primeiros anos da organização foram marcados por inúmeras dificuldades.

Segundo Ale, havia pouca representatividade da população LGBTQIAPN+ em cidades do interior, além de escassez de políticas públicas específicas.

A realização de eventos enfrentava obstáculos relacionados tanto à obtenção de recursos quanto à resistência de parte da sociedade.

Mesmo assim, os projetos continuaram sendo desenvolvidos.

Com o passar do tempo, a ONG ampliou sua atuação e consolidou parcerias com órgãos públicos, empresas e outras organizações da sociedade civil.

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Uma atuação que foi além dos eventos

Ao longo dos anos, a Dfora do Armário deixou de ser apenas um coletivo para tornar-se uma associação voltada ao desenvolvimento de ações permanentes.

Entre as iniciativas promovidas estão:

  • Parada LGBTQIAPN+ de Jardinópolis;

  • Miss e Mister LGBTQIAPN+;

  • Miss e Mister PCD;

  • XTop Drag Ribeirão Preto;

  • Cine Diversidade;

  • Saraus Culturais;

  • Rodas de conversa;

  • Palestras educativas;

  • Campanhas de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs);

  • Testagens rápidas;

  • Ações culturais;

  • Projetos de conscientização em escolas e espaços públicos.

Segundo estimativas da própria entidade, mais de 20 mil pessoas participaram direta ou indiretamente das atividades promovidas ao longo dos anos.

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Cultura como ferramenta de transformação

Para Ale, os eventos realizados pela ONG possuem objetivos que vão além do entretenimento.

Ele considera que iniciativas culturais ajudam a ampliar a representatividade, estimular o diálogo e promover cidadania.

A Parada LGBTQIAPN+ de Jardinópolis, por exemplo, busca ocupar espaços públicos por meio da cultura, da informação e da defesa dos direitos humanos.

Já o Miss e Mister LGBTQIAPN+ procura valorizar autoestima, identidade e inclusão, enquanto o XTop Drag Ribeirão Preto destaca a produção artística regional e incentiva novos talentos.

Segundo ele, além dos impactos sociais, esses eventos movimentam a economia local, estimulando o comércio, hotéis, restaurantes e o turismo de eventos.

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Defesa permanente dos direitos humanos

Embora os eventos sejam uma das faces mais visíveis da atuação da ONG, Ale afirma que o trabalho acontece durante todo o ano.

Entre as pautas defendidas estão:

  • combate à violência contra pessoas LGBTQIAPN+;

  • fortalecimento das políticas públicas de saúde;

  • acesso ao mercado de trabalho;

  • educação inclusiva;

  • combate ao bullying;

  • acolhimento de jovens expulsos de casa;

  • incentivo à cultura e à economia criativa.

Segundo ele, uma das principais metas é ampliar a presença da população LGBTQIAPN+ em espaços de participação social e formulação de políticas públicas.

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O sonho de um Centro Regional de Acolhimento

Entre os projetos considerados prioritários está a criação de um Centro Regional de Acolhimento para a População LGBTQIAPN+.

A proposta prevê atendimento a moradores de Jardinópolis, Ribeirão Preto e municípios vizinhos.

Segundo Ale, o espaço seria destinado a pessoas expulsas de casa, vítimas de violência ou em situação de vulnerabilidade social.

A ideia inclui oferecer:

  • acolhimento temporário;

  • atendimento psicológico;

  • assistência social;

  • orientação jurídica;

  • qualificação profissional;

  • encaminhamento ao mercado de trabalho.

Para ele, trata-se de uma política pública capaz de ampliar a proteção social e oferecer oportunidades de reconstrução de vida.

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Resistência e reconhecimento

Nem toda a caminhada ocorreu sem conflitos.

Ale relembra que um dos momentos mais difíceis ocorreu durante os primeiros anos da atuação da ONG, quando enfrentou resistência política à realização de ações voltadas à diversidade em Jardinópolis.

Segundo ele, houve críticas, tentativas de deslegitimar o trabalho da entidade e dificuldades para consolidar os projetos.

Apesar disso, afirma que o diálogo foi mantido.

Com o passar dos anos, as iniciativas conquistaram reconhecimento e passaram a integrar o calendário de atividades do município, contando com apoio de diferentes instituições.

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Histórias que marcaram a trajetória

Ao falar sobre as experiências mais marcantes, Ale destaca os relatos de pessoas que encontraram na ONG um ambiente seguro para viver sua identidade.

Ele relembra o caso de um jovem que, após participar de um evento, relatou sentir-se acolhido pela primeira vez.

Segundo Ale, o rapaz enfrentava preconceito dentro da própria família e acreditava estar sozinho.

A participação nas atividades da ONG permitiu que encontrasse apoio e reconstruísse sua autoestima.

Para o ativista, histórias como essa representam o verdadeiro impacto do trabalho desenvolvido.

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A política como continuidade da atuação social

Recentemente, Ale anunciou sua pré-candidatura ao cargo de deputado estadual.

Segundo ele, a decisão nasceu da percepção de que muitas demandas enfrentadas pela população poderiam ser enfrentadas por meio de políticas públicas permanentes.

Entre as propostas apresentadas estão:

  • criação do Centro Regional de Acolhimento;

  • fortalecimento das políticas de diversidade no interior paulista;

  • ampliação dos investimentos em cultura;

  • incentivo à economia criativa;

  • fortalecimento da empregabilidade;

  • combate à violência;

  • ampliação do acesso à saúde e assistência social.

Ele afirma que pretende levar para a Assembleia Legislativa a experiência adquirida durante anos de atuação no terceiro setor.

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Uma visão para o futuro

Ao falar sobre o futuro, Ale afirma acreditar que ainda há desafios importantes relacionados ao combate ao preconceito e à consolidação de políticas públicas permanentes.

Entre seus objetivos estão ampliar a rede regional de proteção à população LGBTQIAPN+, fortalecer projetos culturais, incentivar a geração de emprego e ampliar oportunidades para moradores do interior paulista.

Segundo ele, o maior sonho é contribuir para que novas gerações cresçam em uma sociedade onde orientação sexual ou identidade de gênero não sejam motivo de discriminação.

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Uma trajetória construída pela perseverança

A história de Alex Sandro Correia Ganzarolli é marcada por profundas transformações.

Da infância vivida em situação de extrema vulnerabilidade ao trabalho desenvolvido por meio da ONG Dfora do Armário, sua caminhada reúne experiências pessoais, atuação profissional e participação em projetos voltados à promoção dos direitos humanos.

Independentemente dos desafios enfrentados ao longo da vida, Ale afirma que sua principal motivação continua sendo a mesma: transformar experiências difíceis em oportunidades para construir uma sociedade mais acolhedora, inclusiva e comprometida com a dignidade de todas as pessoas.

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