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DECRETO DE LULA ABRE CAMINHO PARA ASSENTAMENTO DO MST EM ÁREA DA SABESP

Fazenda Itahyê possui aproximadamente 115 hectares e é ocupada desde 2002; movimento afirma que medida poderá beneficiar 55 famílias em São Paulo

02/08/2026 às 16h21
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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DECRETO DE LULA ABRE CAMINHO PARA ASSENTAMENTO DO MST EM ÁREA DA SABESP

Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que declara de interesse social, para fins de reforma agrária, a área da Fazenda Itahyê, onde está localizada a Comuna da Terra Irmã Alberta, vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O imóvel fica na região de Perus, na zona norte da capital paulista, e é ocupado há 24 anos.

A medida foi publicada na sexta-feira, 31 de julho, e integra o Programa Terra da Gente, do Governo Federal. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o objetivo é destinar o imóvel à reforma agrária e oficializar a Comuna da Terra Irmã Alberta.

A fazenda possui aproximadamente 115,68 hectares e está ocupada desde julho de 2002. A organização inicial das famílias teve participação da Comissão Pastoral da Terra e, atualmente, a comunidade é vinculada ao MST.

Segundo o movimento, a destinação poderá beneficiar 55 famílias que vivem na área. A publicação oficial do Ministério do Desenvolvimento Agrário confirma a ocupação e a extensão do imóvel, mas não informa o número de famílias contempladas.

O decreto representa um avanço no processo de regularização, mas não significa que todas as etapas da transferência da propriedade e da implantação do assentamento estejam automaticamente concluídas.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, a incorporação de imóveis à reforma agrária envolve procedimentos de obtenção da terra, indenização quando aplicável, imissão na posse, cadastramento e seleção das famílias, além da criação formal do projeto de assentamento.

As informações oficiais divulgadas até o momento não detalham o valor da operação, eventuais indenizações ou o prazo previsto para a conclusão de todas essas etapas.

ÁREA TERIA OUTRA DESTINAÇÃO

O imóvel pertence à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp. Segundo o histórico divulgado pelo MST, a área pertencia originalmente a uma empresa que perdeu a propriedade para o governo estadual por dívidas tributárias. Posteriormente, o terreno foi transferido à companhia de saneamento.

A Sabesp pretendia utilizar a área para a implantação de um aterro sanitário. Embora o MST utilize a expressão “lixão” em suas manifestações, tecnicamente aterro sanitário e lixão são estruturas diferentes. O aterro sanitário deve seguir critérios de engenharia e controle ambiental, enquanto o lixão consiste no descarte inadequado de resíduos a céu aberto.

O Governo Federal e a Sabesp mantiveram negociações para viabilizar a declaração de interesse social e a destinação do imóvel à reforma agrária. Os detalhes financeiros e administrativos do acordo não foram apresentados nas publicações consultadas.

PRODUÇÃO E PRESERVAÇÃO

Ao longo de mais de duas décadas, a Comuna da Terra Irmã Alberta passou a desenvolver produção agroecológica de hortaliças, verduras, raízes e outros alimentos.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário classifica o local como um território produtivo, educativo e ambiental e informa que parte dos alimentos produzidos pelas famílias é destinada a bancos de alimentos da cidade de São Paulo.

Renata Adrianna, dirigente do MST em São Paulo e moradora da comunidade, estima que aproximadamente 10 toneladas de alimentos sejam produzidas anualmente no território. Os produtos também seriam comercializados em feiras, grupos de consumo e por meio do Programa de Aquisição de Alimentos.

Segundo o MST, o espaço abriga ainda a Escola Popular de Agroecologia, um ponto de apoio de atendimento em saúde, uma estrutura voltada às crianças e o Território Cultural Okaracy.

O integrante da coordenação nacional do MST Gilmar Mauro classificou a assinatura do decreto como uma conquista histórica. Segundo ele, as famílias contribuíram para preservar a vegetação e recuperar nascentes durante o período de ocupação.

A destinação da Fazenda Itahyê foi anunciada oficialmente no sábado, 1º de agosto, em uma programação realizada no território da Comuna da Terra Irmã Alberta. A medida deverá ser acompanhada agora pelas providências administrativas e fundiárias necessárias para a implantação definitiva do assentamento.

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