
Priorizar frutas, verduras e legumes da estação pode ajudar as famílias a variar a alimentação e economizar nas compras. A estratégia consiste em escolher alimentos durante os períodos em que sua produção e oferta acontecem com maior intensidade.
A sazonalidade, entretanto, não deve ser entendida como uma garantia automática de preço baixo. Chuvas intensas, estiagens, geadas, custos de transporte, perdas na lavoura, distância das regiões produtoras e aumento da procura também interferem no valor encontrado em feiras, sacolões e supermercados.
Quando a produção ocorre em condições favoráveis e o volume ofertado aumenta, a tendência é que o preço diminua. Essa relação pode mudar rapidamente, principalmente no caso de produtos perecíveis.
A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo acompanha mensalmente os preços de 161 produtos, incluindo frutas, legumes, verduras, pescados e itens como batata, cebola e ovos. O Índice CEAGESP demonstra que produtos de uma mesma categoria podem apresentar movimentos diferentes de preço durante o mesmo período.
O consumidor, portanto, deve utilizar a sazonalidade como referência, mas continuar comparando preços nos estabelecimentos da sua cidade.
SAFRA NÃO GARANTE MAIS NUTRIENTES
Alimentos colhidos em estágio adequado de maturação e consumidos mais próximos do local de produção podem apresentar vantagens de frescor, sabor e conservação. Isso não significa, porém, que todo produto da estação tenha automaticamente mais vitaminas e minerais.
O perfil nutricional é influenciado pela variedade, pelo solo, pelas condições climáticas, pelo momento da colheita, pelo armazenamento, pelo transporte e pela forma de preparo.
A principal vantagem nutricional está na possibilidade de variar o cardápio e ampliar o consumo de alimentos in natura. O Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, recomenda que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da alimentação.
Frutas, legumes e verduras oferecem fibras, vitaminas, minerais e outros compostos importantes. Nenhum alimento isolado, entretanto, reúne todos os nutrientes necessários ao organismo. A recomendação é consumir diferentes tipos e cores ao longo do ano.
Também não há uma regra científica segundo a qual o organismo necessite especificamente de mais vitamina C no inverno ou de determinados alimentos apenas no verão. A hidratação, por exemplo, precisa ser mantida durante todas as estações, embora a sensação de sede e a perda de líquidos possam aumentar nos períodos mais quentes.
O QUE PROCURAR EM AGOSTO
A oferta muda conforme a região, as condições meteorológicas e até a variedade de cada alimento. Uma espécie de abacate ou laranja pode estar em período de maior comercialização enquanto outra apresenta menor disponibilidade.
O mapa de sazonalidade da CEAGESP, construído com dados de comercialização entre 2019 e 2023, mostra que agosto apresenta oferta relevante de determinadas variedades de abacate, banana, laranja, maçã e tangerina no mercado paulista.
Entre verduras e legumes normalmente encontrados durante o inverno no Sudeste estão couve, brócolis, cenoura, abóbora, batata-doce, beterraba e mandioca. A disponibilidade e o preço precisam ser verificados localmente.
Para os consumidores de Ribeirão Preto e região, uma medida prática é observar quais produtos aparecem em maior quantidade nas feiras livres, varejões e hortifrutis. Uma oferta mais ampla, especialmente quando vem acompanhada de promoções em diferentes estabelecimentos, pode indicar um momento favorável para a compra.
COMO ECONOMIZAR
O planejamento começa antes de sair de casa. Verificar os alimentos disponíveis, organizar o cardápio e preparar uma lista ajuda a evitar compras por impulso e desperdícios.
A comparação deve considerar o preço por quilo, e não apenas o valor da embalagem. Produtos vendidos em bandejas menores podem parecer baratos, mas apresentar custo proporcionalmente maior.
Frutas e hortaliças com pequenas diferenças de tamanho, formato ou aparência podem manter qualidade adequada para consumo e custar menos. É importante, contudo, observar sinais de deterioração, mofo, cheiro inadequado ou partes excessivamente amolecidas.
Comprar grandes quantidades apenas porque o preço está baixo também pode gerar prejuízo. O ideal é calcular o que será consumido antes que o alimento estrague. Parte dos produtos pode ser higienizada, cortada e congelada, desde que esse método seja adequado para o alimento.
Cascas, talos e folhas comestíveis também podem ser utilizados em receitas quando estiverem em boas condições e forem corretamente higienizados. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social destaca que a redução do desperdício contribui para o uso mais eficiente dos recursos naturais e para a segurança alimentar.
PRODUTOS LOCAIS
Alimentos produzidos mais perto do consumidor podem percorrer distâncias menores e chegar mais frescos aos pontos de venda. A compra local também pode fortalecer agricultores e pequenos comerciantes da região.
Isso não significa que todo produto local seja automaticamente mais barato ou sustentável. O método de produção, o consumo de água, o uso de energia, o transporte e as perdas ao longo da cadeia precisam ser considerados.
Feiras e varejões permitem comparar diferentes fornecedores em um mesmo local. Conversar com os comerciantes também pode ajudar a identificar quais itens estão chegando em maior quantidade e quais apresentam melhor relação entre qualidade e preço.
Uma alimentação equilibrada não depende de produtos caros ou de uma lista rígida para cada estação. A combinação entre variedade, planejamento, comparação de preços e preferência por alimentos in natura pode tornar o cardápio mais saudável e compatível com o orçamento familiar.
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