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DIFICULDADE DE EREÇÃO PODE REVELAR RISCOS À SAÚDE DO CORAÇÃO

Problema recorrente compartilha fatores de risco com doenças cardiovasculares e merece avaliação médica além do desempenho sexual

03/08/2026 às 14h16
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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DIFICULDADE DE EREÇÃO PODE REVELAR RISCOS À SAÚDE DO CORAÇÃO

A dificuldade para conseguir ou manter uma ereção costuma ser associada ao envelhecimento, à ansiedade ou ao estresse. Quando o problema se torna recorrente, porém, pode revelar alterações que vão além da vida sexual, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e doenças cardiovasculares.

Isso não significa que toda falha seja sinal de uma doença no coração. Episódios isolados podem acontecer por cansaço, consumo excessivo de álcool, conflitos no relacionamento, ansiedade de desempenho ou uso de determinados medicamentos. A atenção deve aumentar quando a dificuldade persiste, passa a interferir na rotina ou surge acompanhada de outros sintomas.

O Consenso Princeton IV, publicado por especialistas em saúde sexual e cardiovascular, considera a disfunção erétil um marcador que pode elevar a percepção de risco cardiovascular. O documento recomenda que homens diagnosticados com o problema sejam avaliados também para fatores vasculares, mesmo quando ainda não apresentam sintomas cardíacos evidentes.

O QUE A EREÇÃO TEM A VER COM O CORAÇÃO

A ereção depende da chegada adequada de sangue ao pênis, da integridade dos vasos sanguíneos, do funcionamento dos nervos, do equilíbrio hormonal e dos estímulos psicológicos. Qualquer alteração nesse conjunto pode prejudicar a resposta sexual.

Uma das explicações propostas pelos especialistas é que as artérias penianas, por serem menores, podem manifestar os efeitos de alterações vasculares antes de vasos maiores, como as artérias coronárias. Por isso, em determinados pacientes, a disfunção erétil pode aparecer vários anos antes de uma doença cardiovascular se tornar clinicamente evidente.

De acordo com a Associação Americana de Urologia, disfunção erétil e doenças cardiovasculares compartilham fatores de risco importantes, entre eles tabagismo, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e depressão.

A relação exige atenção especial em homens mais jovens que desenvolvem o problema sem uma explicação aparente. A dificuldade de ereção não confirma, sozinha, a existência de uma obstrução arterial ou de outra doença cardíaca, mas pode justificar uma investigação mais ampla.

NEM TODA FALHA TEM CAUSA FÍSICA

Ansiedade, estresse, depressão, insegurança e problemas no relacionamento também podem afetar a ereção. Em muitos casos, fatores físicos e emocionais aparecem ao mesmo tempo, criando um ciclo no qual o medo de uma nova falha aumenta a dificuldade nas relações seguintes.

Medicamentos utilizados para pressão alta, depressão, ansiedade, próstata e outras condições também podem interferir na resposta sexual. O paciente não deve interromper o tratamento por conta própria. A conduta correta é informar o problema ao profissional responsável, que poderá avaliar ajustes ou alternativas com segurança.

Alterações hormonais, doenças neurológicas, cirurgias na região pélvica, lesões, curvatura peniana e distúrbios do sono também estão entre as possíveis causas. É justamente essa variedade de fatores que torna inadequado buscar uma solução única sem diagnóstico.

O QUE PODE SER INVESTIGADO

A avaliação normalmente começa por uma conversa sobre o início e a frequência do problema, presença de ereções ao acordar, desejo sexual, uso de medicamentos, consumo de álcool, tabagismo e histórico de doenças.

O profissional também pode verificar pressão arterial, peso, circunferência abdominal e solicitar exames para avaliar glicose, colesterol e hormônios, conforme o quadro apresentado. Sintomas como cansaço frequente, redução da libido, dor, curvatura do pênis ou dificuldade súbita também devem ser relatados.

Homens com diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença cardíaca ou hábito de fumar precisam de atenção especial. Dependendo do resultado da avaliação, o acompanhamento pode envolver clínico, médico de família, urologista, cardiologista, endocrinologista ou profissional de saúde mental.

Em Ribeirão Preto e nos demais municípios da região, quem utiliza o Sistema Único de Saúde pode procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde. A atenção primária poderá realizar a avaliação inicial e encaminhar o paciente para atendimento especializado quando houver necessidade.

AUTOMEDICAÇÃO PODE ESCONDER O PROBLEMA

A facilidade de encontrar medicamentos para ereção pela internet ou por indicação de amigos pode levar homens a tratar apenas o sintoma, sem investigar sua origem. Além de atrasar o diagnóstico, o uso indiscriminado pode provocar efeitos adversos e interações perigosas.

Em alerta atualizado em agosto de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária reforçou que substâncias como sildenafil, tadalafil e vardenafil devem ser utilizadas com prescrição e acompanhamento profissional. A agência também advertiu sobre produtos sem autorização vendidos como gomas, suplementos ou soluções para melhorar o desempenho sexual.

Medicamentos para disfunção erétil não podem ser combinados com nitratos utilizados por alguns pacientes cardíacos, pois a associação pode causar uma queda perigosa da pressão arterial. O médico precisa conhecer todos os remédios e suplementos utilizados antes de indicar o tratamento.

HÁ TRATAMENTO PARA DIFERENTES CAUSAS

O tratamento depende da origem e da gravidade do problema. Controle da pressão, da glicose e do colesterol, interrupção do tabagismo, prática regular de atividade física, redução do excesso de peso e moderação no consumo de álcool podem melhorar tanto a saúde cardiovascular quanto a função erétil.

Quando fatores emocionais estão presentes, acompanhamento psicológico ou terapia sexual pode fazer parte da abordagem. Medicamentos, dispositivos a vácuo, aplicações locais e procedimentos cirúrgicos também podem ser considerados em situações específicas, sempre após avaliação profissional.

A recomendação é não transformar a dificuldade em motivo de vergonha ou silêncio. Quando recorrente, ela deve ser encarada como uma informação de saúde. Investigar a causa pode recuperar a qualidade de vida sexual e, em alguns casos, permitir que outros problemas sejam identificados antes de provocarem consequências mais graves.

Dor no peito, falta de ar intensa, suor frio ou desmaio exigem atendimento emergencial. Uma ereção dolorosa que permanece por mais de quatro horas também é uma urgência médica. Nessas situações, o paciente deve procurar imediatamente um serviço de emergência ou acionar o Samu pelo telefone 192.

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