
As convenções partidárias realizadas nas últimas semanas consolidaram os principais grupos que disputarão o Governo de São Paulo nas eleições de 2026 e abriram uma corrida mais fragmentada pelas duas vagas paulistas no Senado. Até a manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) estavam confirmados como os principais adversários, ao lado de candidaturas apresentadas por partidos menores.
O cenário ainda pode sofrer alterações. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, as convenções podem ser realizadas até 5 de agosto, enquanto os pedidos de registro das candidaturas devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até as 19h de 15 de agosto. Depois disso, os nomes ainda serão analisados pelos tribunais eleitorais.
Tarcísio mantém vice e apresenta dupla ao Senado
O Republicanos oficializou, no sábado, 1º de agosto, a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição. O vice-governador Felicio Ramuth, atualmente no MDB, foi mantido na chapa.
Participaram da convenção lideranças de diferentes partidos, entre elas o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Tarcísio declarou apoio ao senador na disputa nacional, vinculando seu palanque estadual ao projeto presidencial do PL.
Para o Senado, a convenção apresentou o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), e o ex-secretário estadual da Segurança Pública Guilherme Derrite (PP). Os dois formam a dupla preferencial do grupo político de Tarcísio, conforme informou o Republicanos.
A coligação estadual reúne forças políticas que não necessariamente seguirão o mesmo candidato na eleição presidencial. O PSD, por exemplo, apoia a reeleição de Tarcísio em São Paulo, mas lançou nacionalmente Ronaldo Caiado à Presidência e Gilberto Kassab como vice. A composição demonstra que a estratégia estadual busca preservar uma aliança mais ampla do que o palanque nacional.
Haddad reedita confronto de 2022
Fernando Haddad teve a candidatura ao Governo de São Paulo oficializada pelo PT em 25 de julho, durante convenção realizada em Campinas. O ex-ministro da Fazenda terá como candidato a vice o ex-governador Márcio França (PSB).
A composição reedita o confronto da eleição estadual de 2022, vencida por Tarcísio no segundo turno. Desta vez, Haddad contará com um palanque diretamente ligado à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A aliança reúne PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL e Rede. Para as duas vagas no Senado, o grupo confirmou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet, que se filiou ao PSB em março de 2026. A confirmação da chapa foi divulgada pelo PSB.
Outras candidaturas ao governo
Entre os demais nomes já homologados está Vera Lúcia (PSTU), que terá Renata França como candidata a vice. O partido também lançou Weller Gonçalves e Eliana Ferreira para o Senado.
A Unidade Popular confirmou Vivian Mendes para o Governo de São Paulo, com Marcelo Pereira como vice. Maíra de Souza e Márcio Alves foram escolhidos para disputar as vagas no Senado.
O PCB oficializou o professor e historiador Carlos Machado como candidato a governador, ao lado de Felipe Queiroz, candidato a vice. Petter Maahs foi apresentado pelo partido para a disputa ao Senado.
Como as convenções terminam somente em 5 de agosto, outras legendas ainda podem anunciar candidaturas ou definir apoio a chapas já constituídas.
Duas vagas aumentam a disputa pelo Senado
A eleição de 2026 renovará dois terços do Senado Federal. Em São Paulo, os eleitores escolherão dois candidatos, e os dois mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos. Na urna, a primeira e a segunda escolhas devem ser destinadas a pessoas diferentes.
Embora Tarcísio tenha apresentado André do Prado e Guilherme Derrite como sua dupla, partidos que declararam apoio à reeleição do governador homologaram candidaturas próprias ao Senado.
O Novo confirmou o deputado federal e ex-ministro Ricardo Salles, enquanto a federação PSDB-Cidadania oficializou a ex-vereadora Soninha Francine. As duas siglas apoiam Tarcísio na disputa estadual, mas não abriram mão de lançar seus próprios nomes para o Senado.
Na oposição, a estratégia está mais concentrada em Marina Silva e Simone Tebet. A presença de duas vagas permite que as campanhas peçam votos em uma dupla, mas também abre espaço para combinações feitas pelo próprio eleitor entre candidatos de grupos diferentes.
Pesquisa mostra vantagem de Tarcísio
Levantamento Genial/Quaest divulgado em 29 de julho mostrou Tarcísio com 41% das intenções de voto para o Governo de São Paulo. Haddad apareceu com 26%, Vera Lúcia com 3%, Vivian Mendes com 1% e Carlos Machado também com 1%.
Em uma simulação de segundo turno, Tarcísio registrou 48%, diante de 32% de Haddad. A pesquisa ouviu 1.650 eleitores entre 23 e 27 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada sob os números SP-04846/2026 e BR-09998/2026.
Na disputa pelo Senado, entre os nomes apresentados aos entrevistados, Marina Silva apareceu com 14% e Simone Tebet com 12%. Guilherme Derrite registrou 7%, André do Prado teve 5% e Ricardo Salles, 4%. Como cada eleitor poderá fazer duas escolhas, os percentuais da pesquisa para o Senado não devem ser interpretados da mesma forma que os números da disputa pelo governo.
Ribeirão Preto tem o nono maior eleitorado paulista
São Paulo possui 34.104.226 pessoas aptas a votar, o equivalente a 21,48% de todo o eleitorado brasileiro. É o maior colégio eleitoral do país e terá peso central tanto na disputa estadual quanto na eleição presidencial.
Ribeirão Preto aparece como o nono maior eleitorado paulista, com 471.128 eleitores. A cidade integra o grupo dos dez municípios que, juntos, concentram 42,8% dos votos do estado, segundo dados divulgados pelo TRE-SP.
O tamanho do eleitorado coloca Ribeirão Preto entre as cidades estratégicas para as campanhas. Além dos votos para governador e senador, o município participa da escolha dos 70 deputados federais e 94 deputados estaduais que representarão São Paulo.
Próximas datas
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato ao governo obtenha mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o eleitor fará seis escolhas, incluindo dois votos separados para o Senado.
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