
Ribeirão Preto passará a integrar a estratégia de combate à dengue, zika e chikungunya com o Método Wolbachia e terá um insetário para produção de mosquitos utilizados na tecnologia. A implantação foi anunciada pela Prefeitura na quarta-feira, 26 de agosto, e será realizada em 16 bairros das zonas Norte e Oeste, com alcance estimado de mais de 141 mil moradores. A iniciativa é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito do Brasil.
Além de atender Ribeirão Preto, o insetário terá função regional. De acordo com a administração municipal, a estrutura produzirá mosquitos que também serão destinados a São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto, ampliando a utilização da tecnologia no interior paulista.
O Método Wolbachia utiliza exemplares do Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. A presença da bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no mosquito, reduzindo sua capacidade de transmissão.
Quando os mosquitos com Wolbachia são liberados e se reproduzem com a população local de Aedes aegypti, a bactéria é transmitida às gerações seguintes. A estratégia busca fazer com que a Wolbachia se estabeleça na população de mosquitos ao longo do tempo. Os insetos utilizados no método não são geneticamente modificados.
Segundo a Prefeitura, antes das liberações será realizada uma etapa de comunicação e mobilização social nos bairros contemplados. Profissionais da Vigilância em Saúde e gestores escolares já passaram por capacitações. Posteriormente, equipes especializadas deverão realizar solturas semanais em pontos definidos das áreas atendidas.

Experiência em outras cidades
A utilização da Wolbachia no Brasil acumula experiências anteriores. Em Niterói, no Rio de Janeiro, estudo publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases associou a implantação do método a uma redução de 69,4% na incidência de dengue nas áreas analisadas. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde também apontam reduções de aproximadamente 70% para dengue, 56,3% para chikungunya e 37% para zika no município.
A tecnologia funciona como estratégia complementar e não substitui as demais ações de prevenção e combate ao Aedes aegypti, incluindo a eliminação de recipientes com água parada e o controle de criadouros.

Ribeirão registra forte queda nos casos em 2026
A implantação ocorre após Ribeirão Preto enfrentar 44.630 casos confirmados de dengue em 2024. Em 2025, foram contabilizados 21.595 casos e 11 mortes. Segundo balanço divulgado pela Prefeitura em 26 de agosto, o município soma 372 casos confirmados em 2026, sem mortes registradas até o momento.
As ações municipais de controle do mosquito também incluem visitas a imóveis, bloqueio de criadouros, nebulização, fiscalização e monitoramento. Entre janeiro e junho de 2026, foram vistoriados 313.760 imóveis e eliminados 14.468 focos do Aedes aegypti, conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde.
Ribeirão Preto também mantém 1.300 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia que utiliza o próprio mosquito para transportar larvicida até outros criadouros.
Com a implantação da Wolbachia, o município acrescenta uma nova ferramenta à estratégia de enfrentamento das arboviroses e assume também a função de produção regional dos mosquitos que serão utilizados em outras cidades paulistas.
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