
A Região Sudeste pode registrar 15.430 novos casos por ano de três dos principais cânceres ginecológicos — colo do útero, corpo do útero e ovário — no triênio de 2026 a 2028. Os números constam das estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e reforçam a importância da prevenção, do rastreamento e da atenção a sintomas persistentes.
Segundo os dados oficiais do INCA, são estimados anualmente no Sudeste 6.450 novos casos de câncer do colo do útero, 5.290 de câncer do corpo do útero e 3.690 de câncer de ovário. Somadas, as três neoplasias chegam aos 15.430 casos citados na projeção.
No Brasil, a estimativa é de 19.310 novos casos anuais de câncer do colo do útero, 9.650 de corpo do útero e 8.020 de ovário entre 2026 e 2028. A soma dos três tipos chega a 36.980 diagnósticos por ano.
Os números ganham destaque durante o Setembro em Flor, campanha de conscientização sobre os tumores ginecológicos. Apesar de atingirem órgãos do sistema reprodutor feminino, essas doenças apresentam diferenças importantes em relação aos fatores de risco, formas de prevenção, sintomas e possibilidades de diagnóstico.
No caso do câncer do colo do útero, a infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV é a principal causa da doença. A vacinação contra o vírus e o rastreamento permitem atuar tanto na prevenção quanto na identificação de alterações antes da evolução para o câncer. O INCA estima 19.310 novos casos da doença por ano no país no atual triênio.
Para os cânceres de ovário e endométrio, a atenção às alterações no organismo é especialmente importante. Sangramento vaginal anormal, aumento persistente do volume abdominal, desconforto ou dor pélvica e outros sintomas que permanecem ao longo do tempo devem motivar avaliação médica.
“Quando falamos em tumores ginecológicos, precisamos olhar para a saúde da mulher como um todo. Há situações em que conseguimos atuar diretamente na prevenção e outras em que reconhecer uma alteração e procurar avaliação médica pode contribuir para uma investigação mais rápida”, afirma o oncologista Diocésio Andrade, membro fundador do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).
Os fatores de risco também diferem entre as doenças. A obesidade está associada ao aumento do risco de câncer de endométrio, enquanto alterações genéticas hereditárias podem estar relacionadas a parte dos casos de câncer de ovário. Para o câncer do colo do útero, a infecção persistente pelo HPV de alto risco exerce papel central no desenvolvimento da doença.
No câncer de ovário, o INCA também aponta que a incidência do carcinoma epitelial aumenta com a idade e que fatores reprodutivos e hormonais podem influenciar o risco.
Avanços no tratamento
Além das estratégias de prevenção e diagnóstico, o tratamento dos tumores ginecológicos incorporou novas alternativas nos últimos anos. Entre elas estão medicamentos direcionados a determinadas características das células tumorais.
Para grupos específicos de pacientes com câncer de ovário, uma das possibilidades são os inibidores da enzima PARP, como olaparibe e niraparibe. Segundo Andrade, esses medicamentos interferem na capacidade das células tumorais de reparar danos no próprio DNA e podem ser empregados em situações específicas.
A imunoterapia também integra as opções terapêuticas para determinados casos de câncer de endométrio e colo do útero. A indicação depende das características do tumor e das condições de cada paciente.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que as estratégias não são iguais para todos os tumores ginecológicos. Vacinação contra o HPV, acompanhamento de saúde, atenção a sintomas persistentes, hábitos de vida saudáveis e conhecimento do histórico familiar são medidas que atuam em diferentes frentes.
“Não existe uma única estratégia que sirva para todos os cânceres ginecológicos. Temos tumores para os quais dispomos de ferramentas importantes de prevenção, outros em que os sintomas precisam receber atenção e, ao mesmo tempo, tratamentos que avançaram muito nos últimos anos”, completa Andrade.
As projeções fazem parte da Estimativa 2026–2028 do INCA. Considerando todos os tipos de câncer, o instituto calcula aproximadamente 781 mil novos casos por ano no Brasil durante o período, ou cerca de 518 mil quando excluídos os tumores de pele não melanoma.
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