20°C 35°C
Ribeirão Preto, SP
Publicidade

RIBEIRÃO TEM ÁGUA ATÉ 2050, MAS ESTUDO FAZ ALERTA SOBRE FUTURO DO AQUÍFERO GUARANI

Pesquisa aponta que manancial pode suportar aumento de até 50% na captação, mas manutenção do modelo atual pode agravar rebaixamento da água, reduzir produtividade de poços e elevar custos

08/09/2026 às 21h06
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
Compartilhe:
RIBEIRÃO TEM ÁGUA ATÉ 2050, MAS ESTUDO FAZ ALERTA SOBRE FUTURO DO AQUÍFERO GUARANI

Ribeirão Preto tem condições de manter o Aquífero Guarani como principal fonte de abastecimento e sustentar o crescimento da cidade até pelo menos 2050, mas precisará mudar a forma como retira água do manancial para evitar problemas no futuro. Essa é uma das principais conclusões de um estudo apresentado pela Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp).

A pesquisa “Aquífero Guarani para o Futuro de Ribeirão Preto – Capacidade Máxima, Resiliência e Sustentabilidade” aponta que o aquífero tem capacidade para atender à demanda atual e permitir uma ampliação de até 50% na captação, desde que a exploração seja planejada, monitorada e distribuída de maneira mais equilibrada pelo município.

A capacidade sustentável foi estimada pelos pesquisadores em 9 metros cúbicos de água por segundo.

O diagnóstico, porém, traz um alerta. Simulações realizadas até 2050 indicam que, se Ribeirão Preto mantiver o atual modelo de captação sem alterações, poderá haver agravamento do rebaixamento dos níveis da água subterrânea em determinadas áreas, acompanhado de possível redução da vazão, perda de produtividade dos poços e aumento dos custos de operação.

Isso não significa, segundo o estudo, que o Aquífero Guarani esteja prestes a deixar de abastecer Ribeirão Preto. A conclusão apresentada é justamente a de que existe capacidade hídrica para as próximas décadas, desde que o município adote as mudanças recomendadas.

100% DO ABASTECIMENTO DEPENDE DA ÁGUA SUBTERRÂNEA

A discussão é estratégica porque, segundo a Saerp, 100% do abastecimento público de Ribeirão Preto é proveniente de águas subterrâneas.

Por isso, alterações no comportamento do Aquífero Guarani têm relação direta com a segurança do sistema que fornece água à população.

Coordenado pelo geólogo Ricardo Hirata, especialista em águas subterrâneas, o trabalho utilizou monitoramento, modelagem tridimensional e projeções de longo prazo para avaliar diferentes cenários de exploração.

Os resultados foram apresentados pela Saerp na quarta-feira, 2 de setembro, durante reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Pardo.

“O levantamento mostrou que o aquífero possui capacidade para atender à demanda atual da população e ainda permitir um aumento de até 50% na captação de água, desde que a exploração seja realizada de forma planejada e equilibrada”, afirma Mateus Simionato, gestor do projeto.

CONCENTRAÇÃO DE POÇOS ACENDE ALERTA

Um dos problemas identificados está relacionado à maneira como o sistema de abastecimento se desenvolveu ao longo das últimas décadas.

Segundo a pesquisa, a expansão provocou uma concentração elevada de poços principalmente na região central de Ribeirão Preto.

Essa distribuição contribuiu para o rebaixamento gradual do nível da água subterrânea em determinadas áreas.

Medidas de controle adotadas desde 2006 ajudaram a diminuir os impactos, segundo as informações apresentadas, mas o novo levantamento concluiu que será necessário avançar para uma estratégia diferente de exploração.

Os pesquisadores simularam diferentes cenários de utilização do Aquífero Guarani até 2050.

O QUE ACONTECE SE NADA MUDAR?

No cenário em que a distribuição atual das captações permanece sem alterações, a modelagem aponta para agravamento do rebaixamento dos níveis de água.

Entre as possíveis consequências identificadas estão:

  • redução da vazão;
  • perda de produtividade dos poços;
  • aumento dos custos operacionais.

Já os cenários que consideram uma redistribuição gradual das captações em direção a regiões mais periféricas apresentam resultados melhores.

A estratégia permitiria diminuir a pressão sobre pontos historicamente mais explorados e preservar a capacidade de abastecimento do aquífero no longo prazo.

MUDANÇA GANHA IMPORTÂNCIA A PARTIR DE 2035

Uma das principais conclusões é que Ribeirão Preto pode continuar dependendo do Aquífero Guarani, mas terá de modificar progressivamente a gestão das captações, com atenção especial a partir de 2035.

Entre as recomendações apresentadas estão a redução gradual da retirada de água nas áreas centrais, implantação de novos poços em regiões consideradas mais adequadas, combate às perdas, avanço da setorização da rede e utilização permanente de sistemas de monitoramento e modelagem.

O levantamento funciona, dessa forma, como uma referência técnica para orientar onde deverão ser realizados futuros investimentos e como a operação dos poços poderá ser organizada nas próximas décadas.

PREFEITO DIZ QUE ESTUDO PERMITE PLANEJAR PRÓXIMAS GERAÇÕES

Para o prefeito Ricardo Silva, os resultados fornecem instrumentos para o planejamento de longo prazo do abastecimento.

“Esse estudo nos permite olhar para o futuro de Ribeirão Preto com segurança e responsabilidade. Estamos falando da água que vai abastecer nossos filhos e as próximas gerações. Pela primeira vez, temos um diagnóstico tão completo e ferramentas científicas capazes de orientar as decisões da cidade para as próximas décadas”, afirmou.

Segundo o prefeito, o planejamento deverá combinar preservação do Aquífero Guarani, redução das perdas e direcionamento dos investimentos.

MAIS DA METADE DO SISTEMA JÁ OPERA POR GRAVIDADE

As conclusões do levantamento também se relacionam a projetos que, segundo a Saerp, já estão em andamento.

Uma das frentes é a ampliação do abastecimento por gravidade, modelo no qual a água armazenada em reservatórios é distribuída utilizando a diferença de altitude.

Atualmente, Ribeirão Preto possui 56 setores ativos de abastecimento. Desse total, 35 já operam por meio de reservatórios.

Segundo a Saerp, isso representa 54% do sistema funcionando no modelo de distribuição por gravidade. Entre os exemplos mencionados estão o bairro Cristo Redentor, o Complexo Ribeirão Verde e o Jardim Palmares.

IPIRANGA E ALTO DO IPIRANGA RECEBEM INTERVENÇÕES

Outra frente envolve a setorização da rede de abastecimento.

Atualmente, as regiões do Ipiranga e Alto do Ipiranga recebem intervenções que incluem instalação de novos registros, substituição e implantação de redes e adutoras, além de outras melhorias.

O objetivo informado pela Saerp é modernizar a estrutura e aumentar a eficiência da distribuição de água.

A autarquia também desenvolve o Programa de Gestão e Controle de Perdas, cuja conclusão está prevista para 2027.

O programa contempla medidas para combater desperdícios relacionados a vazamentos, ligações clandestinas, consumos operacionais e imprecisões de medição.

“Recebemos esse resultado com muita satisfação porque ele demonstra que as ações que estamos desenvolvendo, como o combate às perdas de água, a modernização da rede de abastecimento e os projetos de setorização, caminham exatamente na direção apontada pela ciência”, afirma o secretário responsável pela Saerp, José Rui Bonatto.

ESTUDO DEIXA BANCO DE DADOS PARA DECISÕES FUTURAS

Além das projeções até 2050, o trabalho deixa à Saerp um banco de dados sobre o Aquífero Guarani e ferramentas de monitoramento e modelagem.

A intenção é permitir que o município acompanhe a evolução do manancial e utilize informações científicas para definir a implantação de novos poços, os volumes de captação e a operação do sistema.

Com isso, decisões sobre o abastecimento poderão considerar horizontes de décadas, e não apenas demandas imediatas.

“A conclusão do trabalho é de que o Aquífero Guarani continua sendo a melhor alternativa para o abastecimento de Ribeirão Preto. Com planejamento, monitoramento, redução de perdas e uma distribuição adequada das captações, o manancial tem capacidade para sustentar o crescimento da cidade por muitas décadas, garantindo água de qualidade para a população sem comprometer a segurança do aquífero”, afirma Bonatto.

O estudo completo foi disponibilizado pela Saerp nesta terça-feira, 8 de setembro.

Consulte a página oficial da Saerp

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ribeirão Preto, SP
20°
Tempo limpo

Mín. 20° Máx. 35°

20° Sensação
11.12km/h Vento
60% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
05h35 Nascer do sol
06h16 Pôr do sol
Qui 31° 19°
Sex 23° 19°
Sáb 21° 19°
Dom 20° 19°
Seg 25° 17°
Atualizado às 03h01
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,02 -0,03%
Euro
R$ 5,64 -0,20%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 443,278,26 +0,50%
Ibovespa
208,295,98 pts 1.57%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade