
O endividamento continua pressionando o orçamento das famílias e acende um sinal de alerta também para consumidores e comerciantes de Ribeirão Preto. O Brasil encerrou agosto de 2026 com 73,71 milhões de pessoas com contas em atraso, o equivalente a 43,90% da população adulta do país, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil divulgado pela CDL Ribeirão Preto.
Embora o levantamento não apresente, na publicação, um número específico de inadimplentes de Ribeirão Preto, os dados regionais ajudam a dimensionar o cenário no qual o município está inserido. No Sudeste, o número de consumidores inadimplentes cresceu 2,95% em agosto na comparação com o mesmo período de 2025. Já a quantidade de dívidas em atraso na região avançou 8,32% no período.
Por isso, os percentuais nacionais não podem ser aplicados diretamente à população de Ribeirão Preto como se fossem dados municipais. Ainda assim, o avanço registrado no Sudeste e a divulgação do levantamento pela CDL Ribeirão Preto colocam a inadimplência no radar do comércio e dos consumidores locais.
QUASE METADE DOS ADULTOS ESTÁ INADIMPLENTE NO BRASIL
O levantamento mostra a dimensão do problema. Em agosto, cada consumidor inadimplente possuía, em média, R$ 5.190,28 em dívidas e débitos com aproximadamente 2,34 empresas credoras. Quase três em cada dez consumidores negativados, 28,77%, deviam até R$ 500. Considerando dívidas de até R$ 1 mil, a proporção chegava a 40,97%.
A faixa etária de 30 a 39 anos aparece como a mais afetada. São 17,95 milhões de inadimplentes nessa idade, o equivalente a 52,97% da população brasileira dessa faixa etária. Entre os negativados, 51,42% são mulheres e 48,58% homens.
Apesar do número elevado, houve uma redução entre julho e agosto: a quantidade de consumidores inadimplentes caiu 1,89%. Em julho, o indicador havia alcançado 75,08 milhões de pessoas, maior patamar registrado na série divulgada pela CNDL e pelo SPC Brasil.
BANCOS CONCENTRAM MAIOR PARTE DAS DÍVIDAS
Outro dado chama atenção para a composição das contas atrasadas. Os bancos concentram 65,80% das dívidas dos consumidores inadimplentes. Em seguida aparecem água e luz, com 10,04%; outros setores, com 9,86%; e comércio, com 8,32%.
Na comparação com agosto de 2025, o número total de dívidas em atraso cresceu 10,28% no país. O setor de comunicação apresentou aumento de 14,94%, seguido por água e luz, com 9,15%, e bancos, com 9,08%. As dívidas ligadas ao comércio seguiram caminho contrário e recuaram 1,78%.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o nível de inadimplência deixou de representar apenas dificuldades pontuais de consumo e passou a refletir famílias recorrendo ao crédito para despesas básicas. Segundo ele, atrasos podem deteriorar o histórico do consumidor, aumentar o custo do crédito e dificultar o acesso a novas linhas de financiamento.
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, também relaciona o problema à distância entre renda e custo de vida e defende medidas voltadas à geração de emprego formal, redução sustentada do custo do crédito e educação financeira.
Para Ribeirão Preto, os números nacionais e do Sudeste funcionam como um alerta, mas não permitem afirmar quantos moradores da cidade estão negativados sem um levantamento municipal específico. O impacto da inadimplência vai além das famílias: a dificuldade para quitar compromissos também pode afetar o acesso ao crédito e o consumo, fatores diretamente relacionados à atividade do comércio.
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