
A queda de cabelo pode representar mais do que uma mudança estética. Quando a perda dos fios aumenta de forma significativa, aparecem falhas no couro cabeludo ou ocorre redução de pelos em outras regiões do corpo, como as sobrancelhas, o quadro pode estar relacionado a diferentes condições de saúde e requer avaliação médica.
Segundo o dermatologista Éderson Valei Lopes de Oliveira, da Hapvida, uma perda diária entre 100 e 150 fios é considerada aceitável. Mais importante do que uma contagem isolada, porém, é observar mudanças no padrão habitual.
“A presença de falhas no couro cabeludo e a perda de pelos em outras localizações, como nas sobrancelhas, são situações que merecem investigação médica”, explica o especialista.
Diferentes causas
A origem da queda varia conforme o tipo de problema. Entre os quadros mais conhecidos está a alopecia androgenética, popularmente chamada de calvície, que pode atingir homens e mulheres e tem relação com predisposição genética.
Outra condição é o eflúvio telógeno, caracterizado por uma queda difusa dos fios. Segundo o dermatologista, o quadro pode estar associado a infecções como dengue, Covid-19 e sífilis, além de má alimentação e distúrbios da tireoide.
Anemia, período pós-parto, cirurgias e dietas rigorosas também estão entre as situações que podem estar relacionadas à perda difusa de cabelo. O médico ainda chama a atenção para o uso de medicamentos e para dietas destinadas à redução de peso sem acompanhamento especializado.
A investigação pode envolver análise do histórico clínico, exame do couro cabeludo e exames laboratoriais. Dependendo do caso, uma biópsia também pode ser necessária.
“O diagnóstico é feito pela história clínica, exame do couro cabeludo e, em vários casos, até mesmo pela realização de biópsia”, afirma Éderson.
Tratamento depende do diagnóstico
Não existe um tratamento único para todos os tipos de queda de cabelo. A conduta depende da causa identificada e das características de cada paciente.
Na alopecia androgenética, por exemplo, o tratamento pode ser prolongado e incluir medicamentos tópicos ou sistêmicos e, em determinados casos, transplante capilar. Quando a perda está relacionada a outras doenças, o tratamento é direcionado à condição de origem.
Infecções bacterianas, como a sífilis, podem demandar antibióticos, enquanto infecções fúngicas podem ser tratadas com antifúngicos, sempre conforme diagnóstico e prescrição profissional.
“Não há uma abordagem única, e a avaliação deve considerar as particularidades de cada caso. Por isso, uma avaliação individual e um diagnóstico devem ser estabelecidos”, ressalta o dermatologista.
Cuidado com vitaminas e suplementos
O uso de vitaminas e suplementos por conta própria também exige cautela. De acordo com o especialista, a suplementação vitamínica deve ser considerada quando há deficiência identificada.
“As vitaminas somente devem participar do tratamento quando estiverem em níveis reduzidos”, orienta.
A deficiência de determinados nutrientes pode contribuir para alterações nos cabelos, mas o excesso de vitaminas também pode causar problemas. Para suplementos nutricionais, a recomendação é buscar avaliação profissional antes de iniciar o consumo.
Emagrecimento rápido
A queda de cabelo também pode aparecer durante processos de perda rápida de peso. O tema ganhou maior atenção com a popularização de medicamentos utilizados para emagrecimento.
Segundo Éderson, é importante considerar não apenas o emagrecimento, mas também outras possíveis causas da queda dos fios. “O ideal é ter acompanhamento de um especialista para montar um programa no qual se observe uma perda de peso gradativa e saudável”, afirma.
O dermatologista acrescenta que doenças da tireoide e outras condições capazes de provocar alterações metabólicas também precisam ser investigadas.
Diante de queda intensa, surgimento de falhas ou mudanças persistentes no padrão dos cabelos e pelos, a orientação é procurar avaliação médica para identificar a causa antes de iniciar medicamentos, vitaminas ou outros tratamentos.
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