
O sono tem ocupado espaço crescente nas discussões sobre saúde diante de mudanças de hábitos, exposição à luz e rotinas que podem interferir nos períodos de descanso. Dados do Vigitel Brasil 2006-2024, levantamento do Ministério da Saúde realizado nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal, apontam que 31,7% dos adultos pesquisados relatam sintomas de insônia e 20,2% dormem menos de seis horas por noite.
Nesse cenário, a melatonina também passou a receber maior atenção. Produzida naturalmente pelo organismo, principalmente pela glândula pineal, a substância está relacionada à regulação do ritmo circadiano, ciclo biológico associado aos períodos de sono e vigília.
Em Ribeirão Preto, pesquisas na área farmacêutica também estão relacionadas ao desenvolvimento de novas formulações de suplementos. A Yosen, empresa de base científica criada a partir de pesquisas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto, afirma trabalhar com tecnologias voltadas à incorporação e biodisponibilidade de diferentes ativos.
Segundo Gustavo Cadurim, farmacêutico, fundador e CEO da empresa, a composição de um suplemento envolve fatores que vão além da quantidade do ingrediente informada no rótulo.
“Uma formulação não é definida apenas pelo ingrediente que aparece no rótulo. A forma como esse ativo é incorporado, a estabilidade do sistema e o comportamento da formulação ao longo do tempo também fazem parte do desenvolvimento. É esse conjunto de fatores que precisa ser considerado quando se trabalha com diferentes ativos”, afirma Cadurim.
A empresa desenvolveu a tecnologia Ydrosolv®, baseada no uso de estruturas lipídicas para incorporação de nutrientes. Segundo a Yosen, a companhia possui mais de 20 produtos no portfólio e atua nos segmentos de suplementação, farmacêutico, cosmético, veterinário e agro, além de participar de projetos de pesquisa.
A nutricionista Camila Colombo destaca que a melatonina não deve ser equiparada aos medicamentos hipnóticos utilizados para induzir o sono.
“A melatonina está relacionada à sinalização do ciclo circadiano, enquanto medicamentos hipnóticos produzem uma ação farmacológica sedativa. A avaliação profissional é o que determina qual abordagem faz sentido para cada pessoa”, afirma.
A orientação para avaliação individual também é relevante porque problemas relacionados ao sono podem envolver diferentes fatores, como horários de repouso, exposição à luz, alimentação, atividade física, medicamentos em uso e condições clínicas.
“Antes de qualquer suplementação, é importante investigar horários de sono e vigília, exposição à luz, hábitos, medicamentos em uso e possíveis condições clínicas”, orienta Camila.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza a melatonina como ingrediente de suplementos alimentares para pessoas a partir de 19 anos, com limite diário de 0,21 mg. A agência não autorizou alegações de propriedade funcional ou de saúde para esse ingrediente. Por isso, produtos dessa categoria não podem atribuir à melatonina indicações como tratamento da insônia ou melhora da qualidade do sono.
O Ministério da Saúde também ressalta que suplementos alimentares não são destinados a tratar, curar ou prevenir doenças. Gestantes, lactantes e crianças não devem consumir suplementos com melatonina, enquanto pessoas com determinadas condições de saúde ou que utilizam medicamentos devem buscar orientação profissional antes do consumo.
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