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MAIS DE 315 MIL CONSULTAS E EXAMES SÃO PERDIDOS POR FALTAS DE PACIENTES EM RIBEIRÃO PRETO

Levantamento da Secretaria Municipal da Saúde revela que quase 25% dos agendamentos não são realizados por ausência dos pacientes; Pediatria lidera índice de faltas nas unidades básicas.

24/10/2026 às 07h47
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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Fotos: Guilherme Sircili
Fotos: Guilherme Sircili

A rede municipal de saúde de Ribeirão Preto enfrenta um problema que compromete o aproveitamento das vagas disponíveis e pode aumentar o tempo de espera por atendimento. Entre janeiro e setembro de 2026, 315.485 consultas, exames e procedimentos deixaram de ser realizados porque os pacientes não compareceram aos agendamentos, segundo levantamento divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde.

Ao todo, foram registrados 1.280.076 agendamentos no período, dos quais 24,6% terminaram em ausência. Isso significa que praticamente um em cada quatro horários reservados na rede pública de saúde não foi utilizado, representando uma média superior a 1.100 atendimentos perdidos por dia.

Os dados abrangem a Atenção Primária, os serviços especializados e os prestadores de serviços vinculados à rede municipal. O cenário chama a atenção principalmente pelo impacto sobre outros pacientes que aguardam consultas, exames e procedimentos.

PEDIATRIA LIDERA ÍNDICE DE FALTAS NAS UNIDADES DE SAÚDE

Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Saúde da Família (USFs), o levantamento analisou cinco áreas de atendimento: Clínica Médica, Saúde da Família, Pediatria, Ginecologia e Odontologia.

Juntas, essas especialidades registraram 384.879 consultas agendadas e 91.333 ausências entre janeiro e setembro, o equivalente a 23,73% dos horários disponíveis.

A Pediatria apresentou o maior percentual de faltas. Das 74.248 consultas marcadas para crianças, 19.687 não foram realizadas devido à ausência dos pacientes, alcançando um índice de 26,5%. Em outras palavras, mais de uma em cada quatro consultas pediátricas agendadas ficou sem atendimento.

Na Ginecologia, foram 69.398 agendamentos e 17.669 faltas, aproximadamente 25,5% do total. A Odontologia registrou 51.847 consultas marcadas e 13.044 ausências, índice de cerca de 25,2%.

A Clínica Médica concentrou o maior número absoluto de faltas, com 40.197 ausências entre 186.137 consultas agendadas, representando aproximadamente 21,6%. Já os atendimentos médicos de Saúde da Família contabilizaram 736 faltas em 3.249 agendamentos, índice de 22,7%.

Os números evidenciam que o problema atinge diferentes áreas da assistência, inclusive serviços essenciais para o acompanhamento preventivo da população.

FALTAS PODEM PREJUDICAR O ACOMPANHAMENTO DE DOENÇAS

A Secretaria Municipal da Saúde destaca que as unidades básicas desempenham um papel fundamental no acompanhamento contínuo dos moradores, especialmente no controle de doenças crônicas, na realização de exames preventivos e no atendimento de gestantes, crianças e idosos.

É nas UBSs e USFs que pacientes com hipertensão e diabetes, por exemplo, podem receber acompanhamento periódico, orientações e ajustes no tratamento. As unidades também oferecem serviços como pré-natal, puericultura e vacinação.

Quando esse acompanhamento é interrompido, problemas que poderiam ser identificados precocemente podem evoluir sem a devida avaliação profissional. Em algumas situações, o paciente acaba procurando atendimento apenas quando apresenta sintomas mais intensos, recorrendo diretamente às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

A ausência em consultas de rotina também representa uma preocupação no atendimento infantil, já que o acompanhamento pediátrico permite avaliar o crescimento, o desenvolvimento e as condições gerais de saúde das crianças.

UPAS REGISTRARAM MAIS DE 700 MIL ACOLHIMENTOS EM NOVE MESES

O levantamento também apresenta dados sobre a demanda nas cinco UPAs de Ribeirão Preto. Entre janeiro e setembro, as unidades realizaram 704.832 acolhimentos, que resultaram em aproximadamente 1,5 milhão de atendimentos, uma média de 5.354 por dia.

Segundo a Secretaria da Saúde, cerca de 80% dos acolhimentos foram classificados como casos de menor gravidade, identificados pela cor verde na triagem. Isso representa aproximadamente 564 mil acolhimentos durante os nove meses analisados.

No período, 255.052 pessoas diferentes passaram pelas UPAs, o que corresponde a uma média de quase três acolhimentos por paciente.

Os dados demonstram a elevada procura pelos serviços de urgência e reforçam a importância do acompanhamento na Atenção Primária. Entretanto, o levantamento não estabelece quantos atendimentos nas UPAs foram provocados diretamente por faltas anteriores em consultas agendadas.

PACIENTE QUE FALTA A ESPECIALISTA PODE VOLTAR AO FIM DA FILA

O impacto das ausências também alcança os serviços de média e alta complexidade, que incluem consultas com especialistas, exames e procedimentos realizados em hospitais e unidades de referência.

Nesses casos, os encaminhamentos passam por processos de regulação, que organizam o acesso às vagas disponíveis de acordo com os critérios da rede pública.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, quando o paciente perde um desses agendamentos, precisa de uma nova solicitação e retorna ao fim da fila, prolongando o tempo necessário para receber o atendimento.

Além do prejuízo individual, a ausência impede o aproveitamento daquele horário por outra pessoa que poderia estar aguardando pelo mesmo serviço.

O secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, destacou a dimensão do problema e defendeu maior compromisso dos pacientes com os horários agendados.

“São mais de 315 mil atendimentos perdidos em nove meses. Enquanto uma pessoa não aparece, outra está esperando por aquela consulta, exame ou procedimento. Ampliamos vagas, criamos serviços como a Telessaúde, mas o sistema só funciona se cada um fizer a sua parte. É importante também que os pais se atentem sobre a importância do cuidado da saúde das crianças em consultas de rotina e não faltem”, afirmou.

COMPROMISSO COM OS AGENDAMENTOS PODE AJUDAR A REDUZIR FILAS

A quantidade de ausências registrada em Ribeirão Preto revela um desafio para a organização da rede municipal de saúde. Mesmo com a ampliação de serviços e a oferta de novas modalidades de atendimento, a utilização efetiva das vagas depende também do comparecimento dos pacientes.

A Secretaria reforça a importância de manter os acompanhamentos de rotina, especialmente nos casos de doenças crônicas e no atendimento pediátrico, além de respeitar os horários marcados para consultas, exames e procedimentos.

Quando não for possível comparecer, a recomendação é procurar a unidade responsável pelo agendamento para verificar as possibilidades de cancelamento ou remarcação, conforme as regras do serviço.

Com mais de 315 mil ausências em apenas nove meses, os dados colocam em evidência a necessidade de melhorar o aproveitamento dos atendimentos disponíveis e reduzir o impacto das faltas sobre os moradores que aguardam assistência na rede pública.

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