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FIM DA ESCALA 6X1 DIVIDE OPINIÕES: O QUE MUDA PARA TRABALHADORES E EMPRESAS DE RIBEIRÃO PRETO?

Pesquisa Datafolha revela que 75% dos brasileiros acreditam que a mudança melhorará a qualidade de vida, mas empresários de Ribeirão Preto alertam para aumento de custos e necessidade de reorganizar equipes.

26/10/2026 às 07h09
Por: Jorn. Mateus Cordeiro
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FIM DA ESCALA 6X1 DIVIDE OPINIÕES: O QUE MUDA PARA TRABALHADORES E EMPRESAS DE RIBEIRÃO PRETO?

A rotina de milhares de trabalhadores de Ribeirão Preto está prestes a passar por uma transformação. Com o fim da tradicional escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso, funcionários de lojas, supermercados, restaurantes, shopping centers e estabelecimentos de serviços poderão conquistar mais tempo para a família, o lazer e a vida pessoal. Entretanto, enquanto trabalhadores discutem os benefícios de uma segunda folga semanal, empresários da cidade manifestam preocupação com os custos e os desafios de manter seus negócios funcionando.

Uma pesquisa Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (26), mostra que 75% dos brasileiros entrevistados acreditam que o fim da escala 6x1 terá efeitos positivos sobre a qualidade de vida dos trabalhadores. O levantamento também revela uma divisão importante: embora a maioria reconheça os benefícios da mudança, parte da população teme seus impactos econômicos.

A nova realidade já mobiliza representantes dos setores produtivos de Ribeirão Preto, onde o comércio e os serviços concentram atividades que frequentemente precisam funcionar aos sábados, domingos e feriados.

Mais tempo para viver

Para quem trabalha seis dias por semana, uma segunda folga pode representar muito mais do que algumas horas adicionais de descanso. É a oportunidade de acompanhar mais de perto o crescimento dos filhos, visitar familiares, praticar atividades físicas, estudar ou simplesmente recuperar as energias após uma semana de trabalho.

A mudança também pode influenciar a organização da vida doméstica. Trabalhadores que atualmente concentram tarefas pessoais em um único dia de folga poderão distribuir melhor compromissos, cuidados com a casa e momentos de convivência familiar.

O levantamento Datafolha revela que 59% dos entrevistados consideram que a adoção da escala 5x2, sem redução salarial, será ótima ou boa para suas próprias vidas. Em março, esse percentual era de 68%, indicando uma redução de nove pontos percentuais na avaliação positiva.

Por outro lado, a parcela que considera os efeitos ruins ou péssimos passou de 14% para 19%. Os resultados mostram que, mesmo diante da expectativa de maior qualidade de vida, existem dúvidas sobre as consequências práticas da mudança.

O desafio em Ribeirão Preto

A reorganização das jornadas deverá atingir especialmente estabelecimentos que dependem de atendimento contínuo. Em Ribeirão Preto, restaurantes, bares, supermercados e lojas de shopping centers precisam manter equipes em funcionamento durante períodos de grande circulação de consumidores.

Com dois dias de descanso remunerado por semana, empresas poderão precisar reorganizar turnos, distribuir melhor os horários de trabalho ou ampliar o número de funcionários para garantir o atendimento.

A preocupação já foi manifestada por representantes empresariais da região. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Alta Mogiana) alertou para os efeitos financeiros da mudança, especialmente sobre pequenos empreendedores, que normalmente trabalham com equipes reduzidas e possuem menor capacidade de absorver despesas adicionais.

O presidente regional da entidade, Nicolás Horta, reconheceu a importância do descanso e da valorização dos trabalhadores, mas destacou a preocupação com os custos que poderão recair sobre pequenos negócios.

Representantes do comércio também demonstraram receio de que a necessidade de reorganização das escalas aumente as despesas operacionais e provoque reajustes de preços para os consumidores.

Essas avaliações representam preocupações dos setores empresariais, não efeitos econômicos já comprovados da nova jornada.

Empregos ou preços maiores?

Uma das principais discussões envolve a possibilidade de criação de vagas de trabalho. Para manter estabelecimentos funcionando com equipes que trabalharão menos horas por semana, algumas empresas poderão optar pela contratação de novos profissionais.

Essa possibilidade é considerada positiva por defensores da mudança, que enxergam na reorganização das jornadas uma oportunidade de distribuir melhor o trabalho e ampliar o acesso ao emprego.

Entretanto, representantes empresariais apontam que nem todos os estabelecimentos conseguirão contratar imediatamente. Pequenos restaurantes, mercados de bairro e comércios familiares podem enfrentar dificuldades para ampliar suas equipes sem comprometer o equilíbrio financeiro.

Segundo o Datafolha, apenas 32% dos entrevistados acreditam que o fim da escala 6x1 será ótimo ou bom para as empresas, enquanto 41% avaliam que os efeitos serão ruins ou péssimos.

Em relação à economia brasileira, 47% consideram que a mudança será positiva, contra 26% que esperam consequências negativas.

Os números indicam que o apoio ao descanso adicional convive com preocupações sobre produtividade, custos e preços. O impacto real dependerá de fatores como o tamanho das empresas, o setor de atividade e a forma como cada negócio se adaptará às novas regras.

Quando começa a valer?

O Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro, a Emenda Constitucional nº 141 de 2026, que estabelece a substituição da escala 6x1 pela jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso semanal remunerado, sem redução salarial.

A transição será gradual. A partir de 15 de dezembro de 2026, a nova escala 5x2 deverá entrar em vigor para os trabalhadores abrangidos pelo prazo geral de adaptação, com redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais.

Após o período de transição de 14 meses contado da promulgação, o limite semanal será reduzido para 40 horas, mantendo os dois dias de descanso.

A legislação permite situações excepcionais de compensação por acordo ou convenção coletiva, desde que sejam respeitadas as regras sobre repouso remunerado e compensação das folgas. Também existem disposições específicas para determinadas categorias e contratos.

Isso significa que nem todos os trabalhadores necessariamente terão folgas aos sábados e domingos. Em atividades que funcionam durante toda a semana, o descanso poderá ocorrer em outros dias, conforme a escala adotada e as regras aplicáveis.

Saúde e bem-estar

A discussão também envolve os impactos do trabalho sobre a saúde física e emocional. Jornadas prolongadas, descanso insuficiente e dificuldade para conciliar compromissos profissionais e familiares podem contribuir para situações de cansaço, estresse e desgaste.

Uma segunda folga semanal poderá oferecer mais oportunidades de recuperação e convivência social, embora os benefícios efetivos dependam das condições de trabalho, deslocamento e organização da rotina de cada pessoa.

Para moradores de Ribeirão Preto que passam muitas horas entre o trabalho e o deslocamento diário, a reorganização das jornadas poderá abrir espaço para atividades que frequentemente ficam em segundo plano, como exercícios, cuidados preventivos com a saúde, qualificação profissional e momentos de lazer.

Por outro lado, a mudança também exigirá atenção às condições de trabalho durante os cinco dias de expediente, para que a reorganização não resulte em sobrecarga excessiva.

Uma nova relação com o trabalho

O debate sobre o fim da escala 6x1 vai além das regras trabalhistas. A mudança coloca em discussão o valor do tempo livre, a convivência familiar e a maneira como a sociedade organiza suas atividades econômicas.

Em Ribeirão Preto, a adaptação terá particular importância para o comércio e os serviços, setores que precisam equilibrar as expectativas dos funcionários com as necessidades de consumidores e empresários.

A pesquisa Datafolha mostra que os brasileiros reconhecem o potencial de melhoria na qualidade de vida, mas também questionam como a nova jornada afetará empresas e a economia.

Com a aproximação do início das novas regras, o desafio será transformar o descanso adicional em uma melhoria concreta para os trabalhadores, preservando a sustentabilidade dos negócios e a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Para quem trabalha seis dias por semana, a expectativa é simples: ter mais tempo para viver além do trabalho. Para os empresários, a questão é encontrar caminhos para tornar essa transformação financeiramente viável.

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